Imprensa internacional repercute negativamente vitória de Bolsonaro

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 29/10/2018 09h41
Wilton Junior/Estadão ConteúdoO The Guardian, no Reino Unido, afirma o seguinte: Brasileiros desiludidos trocam a política da esperança pela política da raiva e do desespero

Praticamente todos os grandes jornais da Europa destacam nesta segunda-feira (29) o resultado da eleição por aí com uma mesma avaliação: o Brasil deu uma guinada rumo à extrema-direita. Via de regra a repercussão é bastante negativa.

Começo destacando a reportagem da emissora estatal britânica BBC, que diz o seguinte: O candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro conquistou uma vitória arrebatadora nas eleições presidenciais do Brasil.

Ela constitui uma reviravolta acentuada à direita na maior democracia da América Latina. Suas ligações com os militares e a admiração pela antiga ditadura preocupam muitos brasileiros, assim como suas observações sexistas, racistas e homofóbicas.

Estes são tempos incertos, com muitos preocupados que – com Bolsonaro no poder – os ganhos obtidos no Brasil desde que o país voltou à democracia há 30 anos poderiam ser apagados.

Já o The Guardian, também no Reino Unido, afirma o seguinte: Brasileiros desiludidos trocam a política da esperança pela política da raiva e do desespero.

O jornal avalia que nestas eleições o Brasil não enfrentou mais uma questão de esquerda ou direita, mais uma rejeição maciça da política como de costume.

Na França, o Le Figaro tem a manchete: Brasil, novo exemplo da ascensão do populismo.

O texto segue afirmando que  “com Jair Bolsonaro ou nas Filipinas, com Rodrigo Duterte, a democracia é recente e, portanto, frágil.”

Já no Corrieri della Sera o destaque são as origens da família do presidente eleito.

Jair Messias Bolsonaro é de uma família de origem italiana, tanto do lado do pai quanto do lado da mãe. O avô paterno nasceu na província de Pádua, e o sobrenome era originalmente Bolzonaro, com o z. Ele não tem cidadania italiana, mas em uma entrevista de alguns anos atrás, declarou que queria pedir para ter um país estrangeiro onde poderia se exilar em caso de necessidade.