Incêndio no Museu Nacional expõe ferida brasileira: falta de investimentos para a Cultura

  • Por Jovem Pan
  • 04/09/2018 09h33
EFEO descaso com muitas instituições culturais brasileiras e a falta de recursos para a manutenção são um dos fatores que contribuíram para esses incidentes

No Brasil, nos últimos dez anos, oito grandes incêndios consumiram e destruíram prédios que guardavam acervos artísticos, históricos e científicos.

O último, registrado no domingo (02), destruiu cerca de 90% dos 20 milhões de itens no mais antigo museu do país, o Museu Nacional.

O descaso com muitas instituições culturais brasileiras e a falta de recursos para a manutenção são um dos fatores que contribuíram para esses incidentes. Os repasses do governo federal ao Museu Nacional, caíram praticamente pela metade nos últimos cinco anos.

A situação é um reflexo da crise econômica do país, no entanto, o professor titular da ECA- USP e coordenador do Fórum Permanente de Museus de São Paulo, Martin Grossman, afirmou que a cultura é deixada de lado das prioridades dos governantes: “a cultura sempre fica no terceiro, quarto plano. Tem muitas críticas à Lei Rouanet, mas a gente não pode esquecer que a Cultura sempre tem menor orçamento”.

Para o cineasta, João Batista Andrade, que assumiu interinamente o Ministério da Cultura no ano passado, as instituições culturais brasileiras estão praticamente abandonadas: “falta uma política aos museus e falta dinheiro. Quando saí do Ministério eu disse que o Ministério fica inviável”.

O cineasta defende a adoção de medidas que melhorem as condições dos museus no país.

Fora do Brasil, parcerias público-privadas e patrocínio de entidades e empresas são comuns para manter a conservação das instituições.

De acordo com a presidente do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, Paula Fabiani, a adoção de novas formas de financiamento, como o fundo filantrópico patrimonial, é uma saída para os museus brasileiros: “a atração do capital privado para a área da Cultura, se utilizado instrumento de longo prazo, é fundamental para a saúde do setor”.

Em nota, nesta segunda-feira, o Palácio do Planalto divulgou que quer criar uma rede de apoio com entidades financeiras, empresas públicas e privadas para a reconstrução do Museu Nacional, “no tempo mais breve possível”.

*Informações da repórter Natacha Mazzaro