Inflação alta e endividamento das famílias diminui ímpeto para compras no Dia das Mães

Expectativa do comércio é de movimentar R$ 14,4 bilhões em todo o Brasil em função da data

  • Por Jovem Pan
  • 05/05/2022 07h08 - Atualizado em 05/05/2022 12h24
Estadão Conteúdo movimentação em shopping Shopping centers trabalham com a estimativa de cresce 19% nas vendas em relação a 2021 no Dia das Mães, esperando movimentar cerca de R$ 4,9 bilhões

Dia das Mães, no próximo domingo, costuma ser uma data em que os filhos presenteiam as mães com pelo menos alguma lembrancinha. Mas, neste ano, o cenário de inflação em alta, endividamento recorde no Brasil, escalada dos juros com acompanhamento do crédito nas alturas não favorece muito a data. Apesar da conjuntura econômica desfavorável, o comércio tem uma grande expectativa para este Dia das Mães. Até pelo fato de que, no ano passado, o Brasil vivia o período mais agudo da pandemia justamente nesse período do ano e agora as lojas estarão abertas, à espera dos consumidores. A expectativa do segmento é que seja movimentado R$ 14,4 bilhões.

O economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC) Fábio Bentes lembra que a data ainda é considerada “o Natal” do primeiro semestre do ano para o setor. “Obviamente, assim como o Natal, tem um apelo muito forte. Quer dizer, o presente para as mães passa pelo menos por uma lembrancinha. E, este ano, sem dúvida alguma, a maioria dos filhos, dos consumidores, vai até lá para uma lembrancinha, porque a gente sabe que a situação do orçamento familiar no Brasil está passando por um período delicado”, comenta.

Outro complicador em 2022 é que os presentes estão 10% mais caros, na média, a maior elevação desde 2013, por causa da inflação. “Aquele reajuste de preços que o varejista se depara quando vai encomendar uma mercadoria do atacadista, por exemplo, quando ele vai importar uma mercadoria, na média os preços do comércio estão subindo cerca de 20% nos últimos 12 meses. E o varejo está repassando apenas parte dessa alta para o consumidor. Ainda assim, repassando apenas parte dessa alta, estamos com uma inflação para as famílias, para os consumidores, uma inflação de dois dígitos”, explica Bentes sobre as dificuldades que envolvem a data.

A gerente de marketing do Shopping Cidade de São Paulo, Cindy Bene, avalia que calçados, vestuários, perfumaria e cosméticos devem liderar as vendas. “A nossa expectativa é a mais positiva possível. A gente está falando da principal data de varejo do primeiro semestre. Nossos lojistas se prepararam muito para a ocasião e, a gente tem certeza que vai ser o ponto de retomada. Hoje, a intenção de compra dos clientes é muito grande para a ocasião e todos vêm muito otimistas para celebrar a data. A gente vem se destacando principalmente em moda, acessórios, perfumaria, beleza. Esses itens acabam saindo na frente nas opções de presentes para as mães”, afirma Bene. A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) também está otimista e trabalha com a estimativa de cresce 19% nas vendas em relação a 2021. O setor espera movimentar cerca de R$ 4,9 bilhões no Dia das Mães.

*Com informações do repórter Marcelo Mattos