Iniciativa contra abuso infantil ganha versão online e quer avançar pelo Brasil

Segundo a supervisora de ensino Néjela Targhetta, muitos casos casos de pedofilia foram descobertos a partir do projeto, que acontecia nas escolas públicas de São Paulo

  • Por Jovem Pan
  • 25/02/2021 09h59 - Atualizado em 25/02/2021 12h40
Arquivo/Marcello Casal Jr/ Agência BrasilLevantamento indica seis internações diárias por aborto envolvendo meninas de 10 a 14 anos, que engravidam após serem estupradas

O “Projeto Eu Tenho Voz na rede”, cujo objetivo é prevenir e combater o abuso sexual de crianças e adolescentes, ganhou modalidade digital, nesta quarta feira, 24. As ações, antes realizadas através de uma peça teatral itinerante em escolas públicas de São Paulo, agora estão adaptadas para a nova realidade. A supervisora de ensino, Néjela Targhetta, relata que muitos casos casos de abuso infantil foram descobertos a partir da iniciativa. “No meio da apresentação a criança saiu chorando, evidenciando que ela estava vivenciando uma situação de abuso. Ela foi acolhida pela mediadora e pela juíza que estavam presentes. Após a apresentação, o trabalho é longo.”

Segundo um levantamento feito pela BBC News Brasil, com base no sistema de informações hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Ministério da Saúde, atualmente, ocorrem seis internações diárias por aborto envolvendo meninas de 10 a 14 anos, que engravidam após serem estupradas. A juíza e idealizadora do projeto, Hertha de Oliveira, disse que as narrativas em vídeo serão apresentadas nas escolas, com a presença das crianças e professores. Ao final, debates serão promovidos para orientações sobre formas de violência e os caminhos para denúncia. “Violência e abuso tem que terminar, nenhuma criança tem que passar por isso. Não se atemorize, use a sua voz, a sua voz é a maior defesa”, disse. Ainda segunda a juíza, a versão digital pretende expandir o projeto e conquistar abrangência nacional.

*Com informações da repórter Caterina Achutti