Itália desafia União Europeia e diz que manterá orçamento de 2019 que eleva endividamento público

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 22/11/2018 08h59
PixabayA Comissão Europeia rejeitou a proposta pela segunda vez e agora ameaça aplicar multas pesadas contra o governo de Roma

Enquanto a União Europeia segue negociando os últimos detalhes do acordo para o divórcio do Reino Unido, outro integrante do bloco traz mais dor de cabeça para os burocratas de Bruxelas.

O governo da Itália anunciou nesta quarta-feira (21) que vai manter seu orçamento para 2019 que prevê maior endividamento público para financiar programas sociais.

A Comissão Europeia rejeitou a proposta pela segunda vez e agora ameaça aplicar multas pesadas contra o governo de Roma, que estaria violando gravemente as regras fiscais comunitárias.

A Itália elegeu um governo populista formado por uma coalizão disforme entre a direita representada pela Liga e o grupo de outsiders do Movimento Cinco Estrelas.

Ambos defendem um plano de orçamento para custear a implantação de uma renda básica de mais ou menos 700 euros pagos com dinheiro público para a população. Além da redução de impostos e da queda na idade mínima para aposentadoria.

Só que a dívida pública da Itália hoje, que só é menor que a da Grécia na zona do euro, está em 2,3 trilhões de euros. O país gasta só com a manutenção dessa dívida cerca de cinco bilhões por ano.

Mesmo assim, os líderes italianos se dizem convencidos de que elevar essa dívida vai ajudar o país a voltar a crescer. Os políticos projetam que o PIB italiano vai subir 1,5% no ano que vem com as novas propostas.

Algo que nem os estatísticos oficiais da Itália confirmam. Dados oficiais foram revisados para baixo e falam em crescimento de 1,1%.

Nessa queda de braço especula-se que o governo de coalizão italiano estaria, na verdade, tentando criar um episódio para elevar a insatisfação dos eleitores com a União Europeia.

As próximas eleições para o parlamento europeu serão em maio e com um discurso de soberania e tomada de decisões localmente, a Liga comandada por Matteo Salvini espera ampliar ainda mais seus ganhos, aproveitando o crescimento do nacionalismo que é um fato já bastante consolidado ao redor do mundo.