Itália vive dilema com indefinição do futuro governo

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 16/05/2018 14h17
EFE/ Riccardo AntimianiLíder do Movimento Cinco Estrelas, Luigi Di Maio, promete pagar uma espécie de bolsa família de 780 euros mensalmente para os mais pobres

A Itália está muito próxima de ter mais um governo formado por outsiders, só que dessa vez no outro extremo que era ocupado pelo ex-primeiro-ministro Matteo Renzi.

A Liga e o Movimento Cinco Estrelas estão muito próximos de anunciar um governo de coalizão que tem feito o establishment europeu torcer o nariz.

O jornal britânico Financial Times, por exemplo, publicou editorial dizendo que Roma abre seus portões para o bárbaros modernos.

O diário ressalta que os italianos terão o governo mais inexperiente e não convencional de toda a União Europeia desde a formação do bloco.

Isso porque Luigi Di Maio, do anti-establishment político Cinco Estrelas, e Matteo Salvini, da Liga, têm propostas pouco ortodoxas que vão desde a deportação em massa de imigrantes ilegais e refugiados, até a renda mínima, que promete pagar uma espécie de bolsa família de 780 euros mensalmente para os mais pobres.

A coalizão também promete cortes drásticos no imposto de renda e a revisão da reforma previdenciária feita em 2011.

O problema é de onde sairá o dinheiro para pagar tudo isso em um país endividado e com uma economia que se recupera lentamente da crise da década passada.

Os potenciais novos governantes italianos acham que dá pra fazer com um plano de privatizações, combate a evasão fiscal e a corrupção.

Uma coisa é certa: a Itália nunca teve um governo como esses que se desenha. Os líderes dos dois partidos mais votados nas eleições de março ainda não definiram quem será o chefe de governo, é possível até que façam um rodízio.

A ver se a experiência vai dar certo, enterrando a velha política na Itália, ou se o país só está passando por mais uma de suas intermináveis crises políticas