Janaina Paschoal diz ter mais capacidade que Zambelli para o Senado: ‘Minha formação faz toda a diferença’

Deputada estadual usou as redes sociais para confirmar que será candidata à vaga, independente do apoio de Bolsonaro; caso não o tenha, afirma que não vai romper com ele

  • Por Jovem Pan
  • 09/05/2022 11h23 - Atualizado em 09/05/2022 12h32
ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO A deputada estadual Janaina Paschoal Deputada estadual de São Paulo Janaina Paschoal (PRTB) afirma que será candidata ao Senado Federal independentemente de ter ou não apoio do presidente Jair Bolsonaro (PL), mas diz que não vai romper com ele

Neste final de semana, a deputada estadual de São Paulo Janaina Paschoal (PRTB) usou as redes sociais para falar sobre a disputa eleitoral para o Senado Federal. Ela afirmou que é pré-candidata e que será candidata mesmo que outros colegas da direta também sejam, abrindo a possibilidade de dividir os eleitores. Janaina chegou a dizer ainda que é pré-candidata há muito tempo e que vai se manter na corrida eleitoral independente de quaisquer pressões e do apoio ou não do presidente Jair Bolsonaro (PL), com quem não deve romper por questões eleitoreiras. Janaina também disse se considerar mais capacitada para o Senado do que a deputada estadual Carla Zambelli (PL-SP), cotada para ter o apoio de Bolsonaro. Nesta segunda-feira, a deputada concedeu uma entrevista ao vivo para o Jornal da Manhã, da Jovem Pan News, para falar sobre a situação.

“O que está acontecendo é o seguinte: eu venho recebendo telefonemas de jornalistas, de pessoas da política, colocando as questões nos seguintes termos, foi até interessante porque uma das pessoas perguntou assim, ‘você vai tirar seu time de campo?’, e eu achei o máximo do desrespeito. Muito antes de nós sabermos que o ministro Tarcísio [de Freitas] seria candidato ao governo, eu me coloquei como pré-candidata ao Senado. Eu estava conversando já no PSL para saber se eu teria esse espaço ou não. Senti que não teria esse espaço por questões várias. Procurei uma sigla que me desse garantia da legenda para concorrer. As pessoas não sabem infelizmente, mas a legenda para o Senado é muito negociada. Negociada em todos os sentidos, dinheiro, cargo, acordos, uma casa constitucional da maior importância, na verdade, ela é composta por negociatas. E eu decidi que não iria me submeter a isso”, explicou.

“Encontrei o PRTB, que é um partido de direita, que apoia o presidente, que vai apoiar o ministro Tarcísio já declarou isso publicamente, mas que tem independência. A garantia que eu pedi à presidente do PRTB foi a seguinte: se o presidente Bolsonaro telefonar para a senhora e pedir para a senhora tirar a legenda, a senhora não me deixar concorrer, a senhora vai aceitar? Ela disse ‘de maneira nenhuma, Janaina, a minha palavra está dada’. Todas as outras legendas que me convidaram para ser pré-candidata ao Senado deixaram muito claro que isso seria decidido mais adiante e que o presidente, no caso do PSL era o Rodrigo Garcia que ia decidir o candidato ao Senado, no caso das outras legendas seria o presidente Bolsonaro. Eu sou pré-candidata há muito tempo. Em nenhum momento eu pedi autorização para quem quer que seja. Em nenhum momento eu pedi apoio ou aval. Quem quiser concorrer que concorra. Seja da esquerda ou da direita. Por óbvio, se houver muitos candidatos da direita, nós estamos dando a cadeira para o PT, para o PSOL, PSB, não sei qual será a composição do lado de lá. Mas eu sou pré-candidata, serei candidata e não vou aceitar pressões de nenhuma natureza. O que eu tentei dizer é que eu não estou negociando este lugar. Se o ministro Tarcísio vai fazer chapa com a Carla [Zambelli], com o [José Luiz] Datena, com quem aparecer, não me compete”, completou Janína.

Questionada sobre o que a diferencia de Carla Zambelli (PL-SP) e outros possíveis candidatos ao Senado da direita, Janaina defendeu que a cadeira na Casa exige preparo técnico que afirmou que ela tem. “A minha formação faz toda a diferença [entre mim e a Carla Zambelli]. Eu sou professora de direito. A minha primeira tese foi sobre Constituição e punição. Sou livre docente pela USP. O Senado, além de ser uma casa legislativa, de elaboração de leis, é também um tribunal. No passado recente, nós julgamos, o país julgou, mas foi o Senado a casa julgadora, dois presidentes da República e os afastou. É o Senado que avalia eventuais pedidos de Impeachment de ministros [do STF]. Tem que ter um conhecimento técnico-jurídico. Ou pelo menos eu entendo assim. A população pode não compreender dessa forma. Eu não vejo como comparar, sob o ponto de vista da capacidade para aquela missão. Se você me perguntar, ‘Janaina, tem que organizar uma manifestação domingo que vem, quem é melhor, você ou a Carla?’, pelo amor de Deus, não tenho a menor dúvida. Mas as pessoas têm seus perfis. O que eu não quero é me omitir como cidadã brasileira, como não me omiti quando elaborei e defendi tecnicamente o pedido de Impeachment da ex-presidente Dilma [Rousseff]. Não é questão de ser melhor ou pior, é o perfil para o cargo”, disse.

Janaina ainda reforçou que não deseja brigar pela vaga, mas que não vai recuar por nenhum motivo, por falta de apoio do presidente, por pressões políticas e etc. “Não tem briga comigo. O presidente sabe que eu defendo todas as pautas dele. Ele me conhece. Agora a pressão que eu estou sofrendo está me tirando do sério. Eu acho assim, quer se lançar, se lança, por que tem que pedir para eu recuar? Por que tem que mandar gente dizer que não vai ter lugar para duas. Eu não estou perguntando nada para ninguém. Eu entendo que nós temos que dar par São Paulo e para o Brasil um Senado altivo, independente, se possível comprometido com a defesa da vida, da família, que é o que eu busco, a defesa da nossa nação, da nossa soberania. Não tem uma enquete, quem tem mais likes e seguidores. Eu sou amiga da Carla [Zambelli], gosto da Carla. Mas eu tenho que pensar no país. Nós não sabemos quem será o próximo presidente. Não importa. Nós temos que ter um Senado forte, pessoas que entendem o que o Supremo decide, o que ele está fazendo, que entende de legislação. Eu tenho que pensar nas instituições, não na pessoa A ou na pessoa B. Nós não sabemos quem estará vivo em outubro. Nós temos que nos preparar para ocupar as instituições. Se a Carla quiser vir candidata, outras pessoas, é o direito de cada um, mas é um direito meu também. Eu abri mão de um partido milionário, abri mão de tempo de TV, Vocês tem alguma dúvida de que eu poderia ser candidata a Estadual ou Federal no União Brasil, estando toda noite na televisão? Não tenham dúvida disso. Eu abri mão disso porque eu entendo que o Senado precisa de mim. Se o povo vai concordar ou não é outra história. É um direito do povo e, eu vou compreender porque eu sou democrática. Mas eu não vou me omitir”, declarou.

“O presidente não é fascista, não é genocida. Eu já analisei as peças jurídicas que atribuem esses estigmas a ele e desconstruí essas acusações. Agora, que ele gosta de pessoas que dizem ‘amém’ isso é fato. Não dá para fugir dos fatos. Veja o que ele está fazendo no caso do governo, colocando Vitor Hugo [PL-GO] para concorrer com [Ronaldo] Caiado [União-GO]. Alguém tem dúvida de que o Caiado é de direita? Não importa o partido. Eu não ligo muito para essas coisas. Eu não tenho nenhuma dúvida. Mas ele [Bolsonaro] pôs o Victor Hugo, porque o Caiado ousou discordar em uma questão e o Victor Hugo diz amém. Carla Zambelli diz amém. Eu não acho que esses sejam os políticos ideais para o meu país. Eu votei na Carla Zambelli. Gosto muito dela, e disse para ela que ela é uma decepção para mim, como eleitora. Porque uma mulher que não consegue apresentar uma ideia própria, que não consegue defender um projeto seu, que passa o dia fazendo post para elogiar o presidente da República, por melhor que ele seja, desculpa, então não precisa estar no Congresso Nacional”

“É isso que eu estou dizendo e talvez ninguém esteja compreendo: a minha pré-candidatura e futura candidatura não tem nada a ver com quem o presidente vai apoiar. O presidente apoia quem ele quiser. Eu não vou recuar. Eu tenho um compromisso com o meu país e com o meu povo. Quando elaborei o pedido de impeachment e fui bater de porta em porta para pedir apoio, eu nem sabia quem era o Bolsonaro. Ele não participou do processo de impeachment, só foi votar no último dia. Eu não estou pedindo aval e nem apoio de Bolsonaro”. Questionada ainda se considera romper com o presidente da República caso ele apoie Carla Zambelli, Paschoal disse que não: “Não tem nada a ver uma coisa com a outra. A mentalidade do povo brasileiro precisa evoluir”, finalizou.