Janaina Paschoal é contra destruição de mensagens vazadas: ‘Quero saber o que tem lá’

  • Por Jovem Pan
  • 05/08/2019 09h31
BRUNO ROCHA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDOApesar disso, a deputada estadual conta que não vê nenhuma ato ilícito nas conversas atribuídas a Moro

A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) afirmou, nesta segunda-feira (5), que não considera que este é o momento mais oportuno para que as supostas mensagens sobre a Lava Jato, divulgadas pelo site The Intercept Brasil e atribuídas ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e outras autoridades, sejam destruídas. Em entrevista ao Jornal da Manhã, ela explicou que não acha que o debate mais importante é sobre o quão lícito ou não foi o processo para conseguir os diálogos, mas sim seus conteúdos.

“Do ponto de vista técnico, e não político, entendo que, se houve um crime de hackeamento, e mediante este crime, as mensagens foram alcançadas, elas precisam ser preservadas. Não estou falando com relação a fazer provas em outro processo, mas me parece que essas mensagens são o corpo de delito do próprio hackeamento. Quando alguém é assassinado, o corpo é o corpo de delito, você precisa periciar… Aqui, temos um crime de quebra de sigilo, de interceptação não autorizada. Qual o corpo de delito? As próprias mensagens. Então não me parece que elas possam ser destruídas, não nesse primeiro momento. Tem que ser preservadas”, declarou.

“Eu não tenho uma decisão muito formalista do direito, prefiro olhar o mérito. Eu fujo um pouco desse debate de é origem lícita ou ilícita, vale ou não como prova. Minha linha no direito é sempre olhar o mérito. Quando começaram a vazar as delações, o próprio ministro Gilmar Mendes disse que ia anular tudo, já que havia vazado. Eu não quero saber se vazou ou não vazou: eu quero saber o que tem lá. Quero olhar o mérito”, completou.

Apesar da postura contrária à de Moro em relação a destruição das supostas mensagens, Janaina disse que não vê nenhuma prova de imparcialidade ou ato ilício ao ler os conteúdos publicados pelo site. “Lendo as mensagens, eu não vejo essa parcialidade de Moro, que pudesse comprometer a Lava Jato. Ontem (4) foi feito Carnaval por causa de uma palestra, que ele já demonstrou que deu a palestra, que dinheiro foi doado. Quando se começa a fazer um Carnaval em cima de pouco, perde-se credibilidade de quem tá fazendo o Carnaval. No mérito, não vejo o porque as conversas anularem nada da Lava Jato”, afirmou.

Mesmo defendendo o ministro, porém, ela volta a afirmar que provas nunca devem ser destruídas. “Um exemplo: as 133 investigações que a Receita Federal estava fazendo. Os ministros afastaram auditores que faziam essas apurações. Com esse afastamento e alarde,  vou seguir o raciocínio: O que tem lá? Porque esse interesse todo em destruir?”, questionou. “O país vai ter que ter coragem de enfrentar as verdades, sejam elas quais forem”, completou a deputada.