Joesley Batista e Ricardo Saud serão transferidos nesta segunda para a PF em Brasília

  • Por Jovem Pan
  • 11/09/2017 06h13 - Atualizado em 11/09/2017 11h13
Joesley Batista troca o exílio nova-iorquino por uma sede da PF

O empresário Joesley Batista e o executivo Ricardo Saud, da J&F, passaram a noite de domingo (10) na carceragem da Polícia Federal, na Lapa, Zona Oeste de São Paulo. Eles se apresentaram com cinco minutos de diferença, no começo da tarde deste domingo, após longa negociação entre a defesa e a Polícia Federal.

Joesley Batista se apresentou com seus advogados e veio da casa de seu pai, na região da Haddock Lobo, Zona Sul. Ricardo Saud saiu de sua casa na região do Morumbi, também na Zona Sul de São Paulo.

O advogado de defesa, Antonio Kakay, em entrevista ao repórter Caio Rocha, explicou os trâmites da transferência: “é uma transferência normal. A Polícia Federal tem toda a estrutura para isso. Eu já acompanhei até a PF na Lapa, conversei com o delegado e eles irão normalmente como todo cidadão que é preso e tem que se apresentar em outra cidade. Não há nenhum tipo de privilégio, nenhum tipo de diferença”.

Ao chegarem nesta segunda-feira (11) em Brasília, os executivos da JBS, Joesley Batista e Ricardo Saud, vão passar por exames no Instituto Médico Legal e, depois, ficarão na carceragem da Polícia Federal. Em seguida, devem ser transferidos para a Papuda.

A prisão deles é temporária, inicialmente em cinco dias, com a possibilidade de prorrogação. O argumento é de que, soltos, poderiam ocultar provas importantes. E também a comprovação, até por confissão, de que eles cometeram crimes graves contra a administração pública.

Para voltar a gozar dos privilégios na delação, os dois terão de apresentar detalhes novos e provar que não escondem mais detalhes e nem protegem setores. O termo será refeito e levado, de novo, ao plenário do Supremo Tribunal Federal.

Esta delação é importante. Joesley entregou os nomes de quase dois mil políticos, gravou o presidente Michel Temer, provocou a suspensão do mandato do senador Aécio Neves e, em ação controlada, filmou Rodrigo Rocha Loures com uma mala de R$ 500 mil.

A situação agora é diferente. A denúncia contar Temer não foi para frente porque a Câmara negou a autorização. A renúncia do peemedebista também não aconteceu. Aécio Neves voltou à plenitude do mandato e todos já foram soltos. Além dos aliados do presidente Temer, a opinião pública passou a detestar a figura de Joesley Batista, visto como exemplo de impunidade. Agora, ele troca o exílio nova-iorquino por uma sede da PF.

*Informações dos repórteres José Maria Trindade e Fernando Martins