Jungmann: intervenção no Rio busca “golpear” crime organizado usando a Inteligência

  • Por Jovem Pan
  • 17/02/2018 09h47 - Atualizado em 17/02/2018 09h59
Marcelo Camargo/Agência Brasil"Por trás de tudo isso tem que ter o trabalho de inteligência indicando qual é o tipo de meio, qual é o tipo de ação e atividade que se deve fazer, sempre focando o crime organizado e sua cadeia de comando", disse Jungmann

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou, em entrevista exclusiva à Jovem Pan que o principal trabalho da intervenção federal no Rio de Janeiro está focado na Inteligência. De acordo com ele, isso é o que “golpeia a capacidade operacional do crime”, que não é visível e não deve ser.

“Só a Inteligência gera informações através de várias ferramentas, instrumentos, escutas autorizadas judicialmente sobre onde está o comando do crime, como é que você segue a economia e o dinheiro do crime e como você chega aos seus arsenais”, explicou Jungmann.

“Se em algum momento for necessário ostensividade, terá ostensividade. Se for necessário bloqueio de rua, bloqueio marítimo, terá isso. Se for necessário varreduras, tem varreduras. Mas por trás de tudo isso tem que ter o trabalho de Inteligência indicando qual é o tipo de meio, qual é o tipo de ação e atividade que se deve fazer, sempre focando o crime organizado e sua cadeia de comando”, completou.

Segundo o ministro, é necessário lembrar da atuação de uma força-tarefa da Procuradoria-Geral da República que ainda está nas etapas iniciais, mas que é uma espécie de “Lava Jato do crime”. Jungmann disse ainda que, junto a esta equipe da PGR, que é “extremamente poderosa”, outros órgãos estão colaborando como o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), do Ministério da Fazenda, que rastreia exatamente o dinheiro; o Banco Central; a Polícia Federal e a Inteligência das Forças Armadas e de outros órgãos.

Além disso, ele citou a dificuldade enfrentada pelos órgãos de defesa do país em controlar a ação de criminosos nas fronteiras brasileiras.

“O que as pessoas muitas vezes não conhecem é que nós temos a terceira maior fronteira do mundo. Ela é de 17.000 km. Pra ter uma ideia, essa fronteira significaria sair de São Paulo e ir em linha reta até o Japão. Essa fronteira é, sobretudo, floresta e água. Tem dez países que fazem fronteira conosco e quatro desses países são grandes produtores de droga. (…) Precisamos de mais recursos para poder continuar ampliando a nossa atuação nas fronteiras”, contou.

Jungmann lembrou também que a migração de bandidos de facções para outros estados é um problema que já ocorre há algum tempo, mas prometeu tomar providências caso isso ocorra neste momento.

“Hoje o crime se nacionalizou no Brasil. Então, imaginar que a migração seja uma novidade não bate com a realidade, pois você tem grandes, como o PCC de São Paulo, Comando Vermelho do Rio de Janeiro, e mesmo quadrilhas regionais como a família do norte lá pelo lado do Amazonas, o Sindicato do Crime, no Rio Grande do Norte, que tem também uma amplitude, ou seja, uma atuação regional. Então migração já existe”, disse.

“Agora, se isso vier acontecer, e é um pedido que foi feito por alguns governadores ao ministro da Justiça, evidentemente que nós temos que reforçar os controles, sobretudo, nas fronteiras do estado juntamente com as policias estaduais”, completou o ministro.