Justiça barra nomeação de novo presidente da Fundação Palmares
A Justiça suspendeu a nomeação de Sérgio Nascimento de Camargo para a presidência da Fundação Cultural Palmares. Em um despacho assinado nesta quarta-feira (4), o Juiz Emanuel José Matias Guerra, da 18ª Vara Federal do Ceará, acatou a ação popular contra o ato do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que colocou Camargo no cargo.
Apesar de ser filho de Oswaldo de Camargo, especialista em literatura negra e militante, ele se opõe ao movimento negro nas redes sociais. Em uma postagem feita em novembro no Facebook, Sérgio afirma que “o dia da consciência negra ‘celebra’ a escravização de mentes negras pela esquerda” e que, por isso, “precisa ser abolido”.
Em outra publicação, feita no mesmo mês, ele diz ter vergonha e nojo do que chamou de “negrada militante” por se acharem revolucionários quando não passam de “escravos da esquerda”.
Na decisão, o juiz argumenta que Sérgio Camargo comete excessos em declarações. O magistrado afirma que parte dos termos usados nas falas atacam frontalmente as minorias que a Fundação Palmaraes deveria defender.
Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro chegou a afirmar que não conhecia Sérgio Camargo, mas depois defendeu a indicação.
Camargo é o terceiro indicado para a presidência da Fundação Palmarares em 2019. Antes dele, passaram pelo cargo Erivaldo Oliveira da Silva e Vanderlei Lourenço.
*Com informações do repórter Renan Porto
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