Justiça libera vídeo que mostra discussão entre Dilma Rousseff e procurador

  • Por Jovem Pan
  • 26/10/2019 08h47 - Atualizado em 26/10/2019 11h54
Wilton Junior/Estadão ConteúdoNa maior parte do depoimento, Dilma Rousseff respondeu a perguntas dos advogados de defesa

Após negar que teve conhecimento de uma suposta atuação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para favorecer a Odebrecht em um financiamento do BNDES, a ex-presidente Dilma Rousseff travou uma discussão com um procurador, em depoimento prestado à Justiça Federal.

Dilma falou como testemunha de defesa de Lula no processo que o acusa de ter negociado propina de US$ 40 milhões para liberar um financiamento do BNDES a uma obra da construtora em Angola. A linha de crédito concedida à empreiteira foi de US$ 1 bilhão.

Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, o ex-ministro Paulo Bernardo, que é réu junto com Lula, se encontrou, em 2010, com o empresário Marcelo Odebrecht e, com o aval do ex-presidente, pediu vantagem ilícita para liberar o recurso.

O procurador Carlos Henrique Martins Lima perguntou a Dilma sobre o suposto encontro e ela não gostou.

“Eu quero registrar que a pergunta é um absurdo. Ele me dá como uma preposição que havia um fato a sós e me pergunta se eu posso afirmar alguma coisa. A resposta está na pergunta dele.”

O juiz Vallisney de Oliveira, que cuida do caso, tentou apaziguar, mas o bate-boca continuou. “To protestando, quero que o senhor redija disso. É um desrespeito a mim. Eu sou testemunha, mas continuo sendo cidadã.”

Em seguida, o procurador Carlos Henrique Martins Lima se defendeu e tentou explicar à ex-presidente a intenção do questionamento.

“A pergunta se dirije dessa forma porque o senhor Marcelo Odebrecht afirmou que se encontrou a sós com o ministro Paulo Bernardo nas dependências do Ministério e um dos servidores disse que isso não era comum. Por isso a pergunta.”

Na maior parte do depoimento, Dilma Rousseff respondeu a perguntas dos advogados de defesa. Ela defendeu o modelo de linhas de crédito concedidas pelo BNDES a países como Angola nos governos petistas, dizendo que era uma forma de o Brasil se inserir no mercado internacional.

*Com informações do repórter Levy Guimarães