Justiça manda libertar fundador da Qualicorp; Doria nega ‘investigação política’

Segundo as investigações, José Seripieri fez doações não contabilizadas de R$ 5 milhões à José Serra; além dele, mais dois empresários também foram soltos

  • Por Jovem Pan
  • 25/07/2020 08h19 - Atualizado em 25/07/2020 08h21
Bruno Escolástico/Estadão ConteúdoDoria afirmou nesta sexta-feira que as apurações são técnicas

A Justiça Eleitoral determinou, nesta sexta-feira, 25, a libertação de José Seripieri Filho, sócio e fundador da Qualicorp. O empresário foi preso na terça-feira após uma operação da Polícia Federal que investiga suposto caixa 2 na campanha de José Serra ao Senado em 2014. Segundo as investigações, Seripieri fez doações não contabilizadas de R$ 5 milhões ao tucano. Além dele, mais dois empresários presos na operação também foram soltos. A Justiça entendeu que as prisões cumpriram seu papel e que a Polícia Federal conseguiu obter as informações que precisava no período para “esclarecer os fatos apurados”.

Em nota, a defesa de José Seripieri Filho disse que “tratava-se de uma prisão injustificada” e celebrou que a soltura tenha sido antecipada. O senador José Serra também se manifestou, dizendo que “lamenta a espetacularização da investigação e que desconhece as acusações”. A mesma operação que investiga Serra ainda detectou indícios de repasse de ao menos R$ 1 milhão à campanha presidencial de Aécio Neves, em 2014. Os seis advogados de José Serra entraram com um pedido para que o Supremo Tribunal Federal suspenda as investigações da “Lava Jato Eleitoral“, em que ele é investigado. A defesa do tucano afirma que o Ministério Público Eleitoral está usando fatos relacionados ao atual mandato dele, o que viola o benefício do foro privilegiado. Os advogados justificaram afirmando que, ao pedir a aprovação para a operação, a Promotoria e a Polícia Federal apresentaram requerimentos e projetos de lei ligados à área da saúde propostos entre os anos de 2015 e 2020.

O empresário Mino Mattos Mazzamati, preso temporariamente, admitiu em depoimento que recebeu pagamentos via caixa dois pela prestação de serviços à campanha do tucano. Esses pagamentos teriam sido feitos pelo ex-diretor de uma empresa do grupo Qualicorp, Elon Gomes de Almeida, delator do caso.

Questionado sobre o assunto, o governador de São Paulo, João Doria, do PSDB, afirmou nesta sexta-feira que as apurações são técnicas e que não vê perseguição política. “O dever é investigar, assim como o do PSDB é não criar nenhuma objeção e nem condenar nenhum tipo de investigação. Mas lembrando que são investigações, não há julgamento ou deliberação”, disse. Em nota, a defesa de Aécio Neves afirmou que ele desconhece o assunto e que “todas as despesas da campanha foram declaradas à Justiça Eleitoral”.

* Com informações da repórter Letícia Santini