Laboratórios de SP irão produzir 8 mil testes de coronavírus por dia, estima Dimas Covas

  • Por Jovem Pan
  • 03/04/2020 09h00 - Atualizado em 03/04/2020 09h07
ReproduçãoPara que a iniciativa comece, o desafio é a aquisição de insumos para a produção dos exames, problema também enfrentado por outros países

O estado de São Paulo estima produzir, diariamente, cerca de 8 mil exames para detecção da covid-19. A afirmação foi feita pelo diretor do Instituto Butantan e coordenador de testes de coronavírus do estado de São Paulo, Dimas Tadeu Covas, em entrevista ao Jornal da Manhã desta sexta-feira (3).

Dimas explicou que com a Plataforma de Laboratórios de diagnóstico de coronavírus, proposta pelo governo do estado, o objetivo é descentralizar a produção dos testes em 10 unidades laboratoriais ligadas ao setor público e também ao setor privado.

Além de descentralizar a produção dos exames, outro objeto é ter mais noção sobre o avanço da pandemia no estado.

“A organização dessa rede é fundamental, a expectativa é produzir 8 mil exames por dia para não ter nenhuma espera, sendo os resultados liberados em até 24 horas, no máximo. Precisamos dos dados para olhar a epidemia, então os testes são fundamentais.”

Dimas Tadeu Covas explicou ainda que, diferente dos testes rápidos, que em alguns casos apresentaram até 75% de risco de erro, os exames que serão produzidos pelos laboratórios funcionam de forma diferente.

“Existem dois tipos de testes, um é o teste rápido que identifica anticorpos e é esse que teve alguns problemas. O outro é o que identifica o vírus, ele procura o material genético. Estamos falando de produzir esse segundo, que é necessário na fase aguda da doença.”

Segundo o coordenador, os exames produzidos pela rede dos laboratórios serão destinados, sobretudo, aos pacientes internados em estado grave, aos profissionais de saúde e para confirmar possíveis óbitos pela doença.

Para ele, é importante a produção e intensificação dos testes para diferenciar casos de coronavírus de infecções pela gripe influenza, por exemplo, e para que os órgãos de saúde possam ter uma noção “quase em tempo real do que está acontecendo”.

“Nesse momento nós enfrentamos pelo menos 3 epidemias, corona, dengue e gripe. A gripe e corona tem sintomas parecidos, então pode ser muito difícil o diagnostico diferencial. O exame resolve isso e é importante para adotar medidas de isolamento ou definir quem deve ir para a UTI.”

Entretanto, para que a iniciativa comece, o desafio é a aquisição de insumos para a produção dos exames, problema também enfrentado por outros países, segundo o coordenador.