Líder do DEM, Rodrigo Pacheco critica decisão de Dias Toffoli: ‘Interfere na independência do Senado’

  • Por Jovem Pan
  • 02/02/2019 09h36
Marcelo Camargo/Agência BrasilO senador Rodrigo Pacheco é líder do DEM no Senado

O senador Rodrigo Pacheco, líder do DEM na Casa, criticou a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, de manter a votação para a presidência do Senado secreta, indo contra o que foi decidido pelos senadores nesta sexta-feira (1). “É direito peticionar junto ao Supremo, mas é uma decisão que interfere na independência do Senado Federal de tomar suas próprias decisões”, afirmou Pacheco em entrevista ao Jornal da Manhã neste sábado (2).

Apesar de não concordar com o despacho de Toffoli, Pacheco disse que a decisão deverá ser cumprida na sessão deste sábado, quando a votação será retomada. “Decisão judicial, ainda que se discorde, é para ser cumprida”, explicou. “A tendência é que ela seja cumprida pelo Senado Federal”, antecipou o senador.

No entanto, o líder do DEM no Senado alertou para possíveis insurgências de senadores contra a decisão de Toffoli. “[A decisão] Fere a vontade manifesta de 50 senadores. Pode haver insurgência, manifestação, oposição”, afirmou, lembrando que 50 parlamentares votaram a favor do voto aberto na sessão desta sexta. “Não concordo [com a decisão de Toffoli], acho que deveria prevalecer a vontade da absoluta maioria.”

Confusão

Na sessão de sexta-feira, os senadores da base de Renan Calheiros (MDB) questionaram a legitimidade da votação porque ela foi presidida por Davi Alcolumbre (DEM), que também é um dos candidatos à presidência da Casa.

“Queriam sustentar que um suplente de mesa diretora não podia presidir [a sessão], mas ele tinha sim que presidir”, explicou Pacheco. “Fiz questão de esclarecer que havia legitimidade na condução do senador Davi Alcolumbre.”

Neste sábado, a sessão será presidida pelo senador José Maranhão (MDB), o parlamentar mais velho da casa, e a votação deverá ser secreta. Rodrigo Pacheco, no entanto, acredita que isso não garante que Renan Calheiros será eleito. “Pode haver algum tipo de mudança de voto no meio do caminho, mesmo com o voto secreto. É um resultado difícil de se fazer um prognóstico”, ponderou.