Londres pretende remover estátuas com vínculos a proprietários de escravos e plantations

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 09/06/2020 09h15 - Atualizado em 09/06/2020 09h21
EFEO governo confirmou que 137,5 mil pessoas participaram dos protestos no último final de semana

A classe política britânica tenta apagar o incêndio racial iniciado na Inglaterra após os protestos contra a morte de George Floyd. Novas manifestações estão previstas para os próximos dias e já existe inclusive ameaça de confronto entre grupos nacionalistas e de torcedores de futebol.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, se manifestou e pediu que o país trabalhe unido de maneira pacífica e legalista para combater o racismo e a discriminação. Foi uma mudança importante de tom porque, na véspera, o líder conservador havia dito que as manifestações foram subvertidas por marginais.

O gabinete do primeiro-ministro, que já estava pressionado pelas falhas no combate ao covid-19, agora enfrenta uma nova crise de grandes proporções. Aqui em Londres, o prefeito trabalhista, Sadiq Khan, decidiu pressionar a polícia metropolitana para que suas práticas sejam revistas.

O alvo principal são as abordagens policiais e a utilização de armas menos letais, como os tasers. Segundo dados oficiais de 2017 e 2018, a chance de um negro ser abordado pela polícia de Londres é 9,5x maior que a de um branco.

O prefeito da capital britânica também anunciou que todas as estátuas da cidade serão examinadas com o objetivo de remover as que têm vínculos com os proprietários de escravos e plantations.

Essa reação tenta impedir que os próximos protestos acabem em violência. O governo confirmou que 137,5 mil pessoas participaram dos protestos no último final de semana, que terminaram com 135 presos e 35 policiais feridos em Londres.

Coronavírus

O Reino Unido registrou na segunda-feira (8) o seu menor crescimento de mortes por covid-19 desde o início da quarentena: 55 pessoas morreram nas últimas 24 horas e nenhuma morte foi registrada em Londres — que já foi o epicentro da doença em território britânico.

Existe o fato de que às segundas-feiras as estatísticas sempre são menores porque nem todos os casos do final de semana são computados. A tendência é que as estatísticas de hoje e amanhã sejam mais elevadas, mas ainda assim é possível confirmar a tendência de queda por aqui.

Apesar disso, o governo britânico desistiu de retomar as aulas para todos os alunos do primário — que aqui são crianças de 5 a 11 anos. As aulas para estudantes do secundário — de 11 a 16 — também só devem voltar a ser presenciais em setembro.

Na prática, isso significa que o ano letivo presencial está encerrado para milhões de estudantes britânicos, apenas alguns pequenos grupos de anos específicos retomaram as aulas presenciais no início do mês.

As escolas ainda não tem condições de lidar com as regras de distanciamento social, por isso os próximos meses serão usados para que elas se adequem à nova realidade de alguma forma.