Lula praticou tráfico de influência, mas crime prescreveu, diz procuradora após denúncia contra petista

  • Por Jovem Pan
  • 27/11/2018 08h31 - Atualizado em 27/11/2018 09h30
Rovena Rosa/Agência Brasil Como Lula já tem mais de 70 anos, o crime de tráfico de influência prescreveu para ele

O ex-presidente Lula foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo, no âmbito da Operação Lava Jato, pelo crime de lavagem de dinheiro. De acordo com a denúncia, o petista recebeu R$ 1 milhão por meio de doações ao Instituto Lula. Segundo o MP, o valor seria contrapartida por ter usado seu prestígio internacional: “Lula influiu em decisões do presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, que resultaram na ampliação dos negócios do grupo brasileiro ARG naquele país africano”. 

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, a coordenadora da força-tarefa da Lava Jato em SP, Thaméa Danelon, disse que é preciso agora aguardar o recebimento ou não da denúncia por parte da juíza e, se aceita, terá desdobramento normal.

“O crime praticado foi de tráfico de influência, mas prescreveu porque a pena é relativamente baixa. De fato houve tráfico perante o presidente da Guiné Equatorial para favorecer esse grupo para que continuasse realizando obras no país, e em contrapartida, ele recebeu R$ 1 milhão que foi dissimulada a origem. Mas foi pagamento desse crime realizado”, disse.

Os fatos teriam ocorrido entre setembro de 2011 e junho de 2012, quando o petista já não era presidente. Como Lula já tem mais de 70 anos, o crime de tráfico de influência prescreveu para ele.

Para o MP, o valor de R$ 1 milhão não se trata de doação, mas de pagamento de vantagem a Lula em virtude do ex-presidente do Brasil ter influenciado o presidente de outro país no exercício de sua função. Como a doação feita pela ARG seria um pagamento, o registro do valor como uma doação é ideologicamente falso e trata-se apenas de uma dissimulação da origem do dinheiro ilícito – e, portanto, configuraria crime de lavagem de dinheiro.

É o crime de lavagem de dinheiro, que objetiva ocultar a origem daquele valor. Era origem ilícita, mas no momento em que a empresa faz uma doação, ainda que fictícia, a intenção é tornar o valor ilícito em lícito. Criminosos do colarinho branco fazem esse tipo de doação”, disse a procuradora Thaméa Danelon.

Confira a entrevista completa com a coordenadora da força-tarefa da Lava Jato em SP, Thaméa Danelon: