Mais de mil são presos em operação que combate crimes contra crianças

Estupro de vulnerável foi crime mais recorrente entre os presos; autoridades alertam para necessidade de que pais e responsáveis observem comportamento dos menores

  • Por Jovem Pan
  • 17/07/2021 09h15
Ministério da Justiça e Segurança Pública/Divulgação Operação Acalento teve mais de mil presos por crimes contra crianças

Mais de mil pessoas foram presas nesta sexta-feira, 16, em uma ação inédita das polícias em todos os Estados do Brasil, que articulou o “Dia D” de combate à violência contra crianças e adolescentes no país. O balanço da “Operação Acalento” foi feito pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O trabalho, que começou no mês passado, reuniu mais de nove mil policiais civis de todo o país. A investigação foi desencadeada após a morte de Henry Borel, menino de quatro anos que morreu no dia 8 de março, segundo a polícia, em consequência de agressões cometidas pelo ex-companheiro da mãe, o ex-vereador Dr. Jairinho, do Rio de Janeiro. A delegada civil que comandou a força tarefa no Amazonas, Fernanda Antonucci, pede que toda a sociedade fique atenta às mudanças de comportamento de crianças, porque até a violência sexual pode começar dentro de casa.

“Dos crimes que a gente mais verificou, o número um foi estupro de vulnerável. E mais, são crimes praticados no mesmo âmbito familiar, crimes praticados por familiares, por pessoas próximas, vizinhos, conhecidos. É um apelo que a Polícia Civil de todo o Brasil faz, é um alerta. Sabemos que alguns autores são os pais, mas tem muitas pessoas próximas também, então que os pais se atentem, cuidem mais de seus filhos, verifiquem onde eles estão, com quem estão conversando”, aconselhou. Segundo o secretário de operações integradas do Ministério da Justiça, Alfredo Carrijo, o trabalho de prevenção contra a violência começa nas escolas. “É muito importante ter essa consciência, as crianças geralmente sofrem esse abuso no âmbito familiar e a escola pode ser a primeira barreira contra este tipo de violência. A gente pede que os professores, as escolas, fiquem atentas a esses sinais”, afirmou. Segundo ele, a escola e os professores têm o dever de reportar este tipo de violência. O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos recebeu, de janeiro a abril deste ano, mais de 32 mil denúncias de violência contra crianças e adolescentes.

*Com informações do repórter Fernando Martins