‘Manifestações foram nitidamente oportunistas’, diz Marcos Rogério sobre atos contra Bolsonaro

Parlamentar afirmou que pré-candidatos se aproveitaram do movimento pró-impeachment do atual chefe do Executivo; ele ainda contou que pretende apresentar um relatório alternativo ao final da CPI

  • Por Jovem Pan
  • 13/09/2021 10h40 - Atualizado em 13/09/2021 17h25
Pedro França/Agência SenadoSenador Marcos Rogério (DEM-RO) chamou protestos contra Bolsonaro de 'oportunistas'

O senador Marcos Rogério (DEM-RO) avaliou, nesta segunda-feira, 13, que os protestos contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) realizados no domingo, 12, foram “oportunistas”. Em entrevista ao Jornal da Manhã, o parlamentar afirmou que pré-candidatos se aproveitaram do movimento pró-impeachment do atual chefe do Executivo. “As manifestações foram nitidamente oportunistas. Depois do anúncio do grande evento do 7 de setembro, lideranças políticas, centrais sindicais, partidos políticos e alguns pré-candidatos de direita, centro-direita, centro-esquerda e esquerda se uniram nesse movimento. Como era de se esperar, o evento foi inexpressivo. O que nós percebemos é que a população brasileira não tem ânimo para um processo de impeachment”, avaliou o senador, que acrescentou que a união de movimentos como MBL e partidos como o PSOL foi “irracional”. “Você juntar lideranças de um movimento como é o MBL e lideranças do PSOL, no mesmo ambiente, para defender uma pauta como essa, por mais que haja entre esses participantes um ponto comum, chega a ser irracional”, opinou Marcos Rogério. “Nós tivemos ali cerca de cinco a seis pré-candidatos à Presidência da República, o que torna o fracasso do evento ainda mais eloquente, porque você teve ali a chancela de muitos pré-candidatos. Mostra a inexpressividade dessa mobilização frente aos protagonistas do chamamento”, pontuou.

Sobre o 7 de setembro, o senador avaliou que a postura do presidente Jair Bolsonaro na carta em que afirmou nunca ter tido a intenção de agredir os poderes foi de “humildade” e demonstrou a “grandeza” do chefe do Executivo. “A atitude do presidente Bolsonaro talvez tenha sido uma das mais difíceis de ser tomada, porque foi um gesto de humildade. Eu posso dizer que seria muito mais fácil, a considerar a natureza da decisão, tomar medidas radicais e, sobretudo, pautadas no apoio popular que ele vinha recebendo e ainda recebe para medidas mais maduras”, disse. “Mas a gente não pode afirmar categoricamente até que proporção chegaria essa medida e quais consequências teríamos com uma atitude dessa, atingindo milhões de pessoas, inclusive os mais vulneráveis, além de levar a crise institucional a um patamar sem retorno. Áreas como a economia provavelmente seriam profundamente afetadas. Como já haviam sido afetadas apenas com aquele movimento do 7 de setembro”, acrescentou. “O presidente fez esse gesto de grandeza em nome do país, porém engana-se quem pensa que ele tenha voltado atrás nas convicções que tem com os excessos que estão acontecendo com o STF.”

Rumos da CPI da Covid-19

O senador Marcos Rogério afirmou que a ausência de depoentes nas últimas semanas acabou criando “narrativas” no ambiente interno da CPI da Covid-19. “Na semana passada, todo o debate ficou centrado na ausência de depoimentos de alguns que  conseguiram laudos médicos. A verdade é que isso acaba dando narrativas no ambiente interno da CPI. O fato do depoente não ir as vezes é mais utilizado na retórica política do que a presença propriamente”, avaliou. O parlamentar acredita que o relator Renan Calheiros (MDB-AL) e os demais senadores já têm condições suficientes para fechar o relatório final, mas criticou os rumos que o documento está tomando. Marcos Rogério ainda contou que pretende apresentar um relatório alternativo ao final da comissão. “Para robustecer o relatório, o relator e o G7 preparam um texto baseado em narrativas. Eles têm votos suficientes para aprovar o relatório, mas eu espero que não aprove. Eu pretendo apresentar um voto que leve em consideração o conjunto do apuratório em relação ao Ministério da Saúde, governo federal, governos estaduais e municipais”, disse. O senador acrescentou que, diante dos elementos apurados, não verificou crime de responsabilidade por parte do presidente.