Manifestantes contra e a favor do governo vão às ruas em Brasília e SP; repórteres da JP são hostilizados

  • Por Jovem Pan
  • 22/06/2020 07h49 - Atualizado em 22/06/2020 08h19
LUIDGI CARVALHO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOEm São Paulo, a Avenida Paulista recebeu manifestantes em apoio ao presidente Jair Bolsonaro. Ele levavam faixas com críticas ao STF e ao governador João Doria

As principais cidades do país voltaram a registrar, no domingo (21), manifestações pró e contra o governo do presidente Jair Bolsonaro. Em Brasília, os atos aconteceram na Esplanada dos Ministérios e foram pacíficos.

Policiais militares do Distrito Federal formaram um cordão de isolamento para manter os grupos separados. Os apoiadores ao presidente Bolsonaro se concentraram no Museu Nacional, eles vestiam camisetas verdes e amarelas e carregavam bandeiras do Brasil. Havia faixas e cartazes contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e contra o ministro Alexandre de Moraes. O presidente não compareceu aos protestos deste domingo.

Já os críticos ao governo Bolsonaro, se reuniram no Teatro Nacional. Eles vestiam roupas pretas e usavam máscaras de proteção. Os manifestantes levavam mensagens contra o racismo, contra a polícia militar e a favor do SUS. Os dois grupos caminharam ao mesmo tempo até o gramado que fica no Congresso Nacional. Os atos foram encerrados no início da tarde e a Polícia Militar não fez estimativa de público.

Em São Paulo, a Avenida Paulista recebeu manifestantes em apoio ao presidente Jair Bolsonaro. Ele levavam faixas com críticas ao STF e ao governador João Doria. Alguns dos manifestantes também pediam a intervenção militar.

Na zona oeste da capital paulista aconteceu uma carreata silenciosa em homenagem aos profissionais de saúde e às vítimas da Covid-19. Em silêncio, eles passaram próximo a hospitais da capital paulista. O protesto também era contrário ao presidente Jair Bolsonaro.

Agressões 

Durante os atos deste domingo (21), cenas de agressão e intimidação aos profissionais de imprensa foram novamente registradas. Em Brasília, a reportagem a Jovem Pan foi hostilizada e xingada por alguns apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Um grupo interrompeu, aos gritos com ameaças e intimidações, uma entrevista que o repórter realizava. Um homem, inclusive, mexeu nos equipamentos utilizados pela reportagem para cobrir os protestos.

Em São Paulo, a cena de violência também se repetiu. Um apoiador de Bolsonaro se irritou ao ser gravado praticando atos de hostilidade contra pessoas que manifestavam na Avenida Paulista. Ele se aproximou da reportagem da Jovem Pan impedindo a continuidade da gravação.

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão repudiou as agressões sofridas por repórteres da rádio Jovem Pan em Brasília e em São Paulo. A Abert lembra que a atividade jornalística é fundamental para a sociedade, que tem o direito constitucional de ser informada sobre fatos de interesse público. A entidade enfatiza que a atitude dos manifestantes demonstra o total desconhecimento do real papel da imprensa.

Em nota, a Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado São Paulo repudiou qualquer ato que tente impedir o trabalho dos profissionais de imprensa. O presidente da Aesp, Rodrigo Neves ,afirmou que a entidade respeita visões contrárias, mas não admite qualquer tipo de agressão.

*Com informações do repórter Afonso Marangoni