Manobra de Boris Johnson pode resultar em eleições antecipadas

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 28/08/2019 08h59
EFEDiversas lideranças políticas do Reino Unido já demonstraram revolta com a manobra, classificada como anti-democrática

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou nesta quarta-feira (28) que vai suspender o parlamento em uma manobra bastante controversa. Como mandam os rituais do parlamentarismo britânico, Johnson enviou o pedido à rainha e é ela quem irá anunciar a suspensão.

Na prática o que vai acontecer é o seguinte: o parlamento volta às suas atividades normais depois do recesso de verão na semana que vem. Mas logo na semana seguinte, no dia 10, as sessões serão suspensas até o discurso da rainha no dia 14 de outubro.

Isso significa que os parlamentares que se opõem ao Brexit a qualquer custo não vão ter tempo hábil para tentar bloquear a desfiliação da União Europeia, já que a data atual para o divórcio é 31 de outubro. Boris Johnson, na maior cara lavada possível, afirma que não decidiu suspender o parlamento por este motivo.

Em teoria, a manobra dele é, de fato, legal. Em tempos normais é uma formalidade que todos os novos governos cumprem. Só que o sofisma do primeiro-ministro, que não foi eleito pelo voto, vale sempre lembrar, fica evidente considerando o calendário do divórcio europeu.

Tipicamente, a suspensão do parlamento entre sessões legislativas, durante a mesma legislatura, que é o caso atual, dura menos de uma semana. A de Boris Johnson vai valer por 23 dias úteis. Diversas lideranças políticas do Reino Unido já demonstraram revolta com a manobra, classificada como anti-democrática e prometem tentar reverter o quadro.

Se fala inclusive em um voto de não-confiança contra o governo já na semana que vem, o que poderia resultar em eleições antecipadas. Algo, aliás, que inevitavelmente vai acontecer em algum momento de 2019 ou começo do ano que vem.

Trocando em miúdos, Westminster está pegando fogo às vésperas do Brexit e é impossível prever as cenas dos próximos capítulos. O Brexit deve mesmo ocorrer, mas as consequências para o governo em Londres são totalmente incertas.