Manter reajuste do Judiciário é típico de ‘presidente politicamente fraco’, critica ex-ministro

  • Por Jovem Pan
  • 30/08/2018 09h03
Reprodução“Isso é coisa típica de presidente politicamente fraco. No fundo, o objetivo do presidente e dos membros do Congresso é ficar popular", diz ex-ministro

Michel Temer decidiu manter para o orçamento de 2019 a previsão de reajuste do Judiciário, o que pode deixar para o próximo presidente a missão de equilibrar as contas públicas. Esta é uma medida que vai contra a proposta de um ajuste sério nas contas proposto pela equipe econômica do emedebista.

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega lamentou a decisão de Temer e disse que tanto o presidente como “os grupos de privilegiados” deixam, com o reajuste, uma herança negativa ao próximo Governo.

“Isso é coisa típica de presidente politicamente fraco. No fundo, o objetivo do presidente e dos membros do Congresso é ficar popular. Ele imagina que agradando o funcionalismo ganha pontos d e popularidade (…) Tudo isso é lamentável, a lógica do reajuste é sem pé e sem cabeça”, criticou.

Além do reajuste, o ex-ministro é contrário à manutenção do auxílio-moradia pago a juízes. “Outra consequência negativa da Constituição de 88 é a decisão de indexar salários de juízes do país ao dos ministros do STF”.

Para Maílson da Nobrega, o aumento do salário dos ministros do STF implicará no teto de gastos e, por consequência, na redução de gastos públicos em infraestrutura, ciência e tecnologia, melhoria da prestação de serviço ao contribuinte entre outros.

“Tudo indica que isso ainda fere a Lei de Responsabilidade Fiscal, porque ela contém restrições à concessão de aumento de salários em época de eleição”, continuou.

“O próximo Governo terá o desafio que não foi enfrentado por nenhum outro. Vai receber o país quase que quebrado e precisa aprovar a reforma da Previdência logo na partida do Governo. Há a expectativa não apenas da população, mas do mercado financeiro, que comprou a ideia de que embora o Brasil caminhe ao colapso fiscal, os participantes do mercado comparam a ideia de que qualquer que seja o governo vai haver reforma previdenciária. E se não conseguir isso, a situação se deteriora muito”, finalizou.

Confira a entrevista completa com o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega: