Marcado pela corrupção, Peru não sabe o que fazer com ‘Cristo da Odebrecht’

  • Por Jovem Pan
  • 22/07/2019 07h48 - Atualizado em 22/07/2019 08h39
Wikipédia Commons"Cristo do Pacífico" foi financiado pela empreiteira

Os escândalos de corrupção envolvendo negócios da Odebrecht se espalharam por toda a América Latina, mas, especificamente, atingiram de forma certeira o dia a dia dos peruanos. Enquanto a população reage à prisão de mais um ex-presidente, uma ONG tenta retirar do país um monumento, financiado pela construtora brasileira, que se tornou o símbolo da corrupção.

O “Cristo do Pacífico” foi inaugurado em junho de 2011 na colina de Chorrillos, na costa Sul de Lima. A obra foi entregue pelo então presidente Alan García, que cometeu suicídio em abril deste ano pouco antes de ser capturado pela polícia, após acusações de envolvimento no escândalo envolvendo a empresa. Para o líder da frente Em Movimento, Christian Rojas, a igreja católica deveria tomar uma atitude quanto ao uso de uma imagem religiosa para tentar “limpar a corrupção”

A Odebrecht admitiu ter pago cerca de três bilhões de reais em doze países entre 2001 e 2016. O mais recente resultado desses crimes foi a prisão, nos Estados Unidos, do ex-presidente Alejandro Toledo, que agora tenta evitar a extradição.

Na semana passada, o atual presidente, Martín Vizcarra, afirmou que todos devem responder pelos próprios atos. Mesmo com o acordo de colaboração, Vizcarra rejeitou a possibilidade de continuação das operações da Odebrecht no Peru.

Além de Alan García e Alejandro Toledo, está na lista de mandatários atingidos pela extensão da operação Lava Jato no Peru Ollanta Humala, que governou o país de 2011 a 2016. Investigado por financiamento irregular de campanha, ele ficou preso por nove meses, mas acabou solto após recurso da defesa.

Completa a relação de ex-presidentes presos Pedro Pablo Kuczynski, que assumiu o comando do país em 2016, mas renunciou em março do ano passado após vir a público vídeos de compra de votos em troca de obras. Ele foi preso em março deste ano, sob acusações de corrupção e lavagem de dinheiro. Outros políticos, como Keiko Fujimori, líder da oposição e filha do ex-presidente Alberto Fujimori, também são alvos de investigações.

Apesar dos escândalos e da descrença com a política, a economia do Peru segue avançando, com crescimento de quatro por cento em 2018, e expectativa de manter o ritmo em 2019.

*Com informações do repórter Matheus Meirelles