Marinha admite que origem de óleo em praias ainda é desconhecida

  • Por Jovem Pan
  • 06/12/2019 06h25 - Atualizado em 06/12/2019 07h21
Pedro França/Agência SenadoO comandante de Operações Navais da Marinha, Leonardo Puntel, participou de uma audiência pública no Senado Federal

A Marinha ainda não encontrou os responsáveis pelo derramamento de óleo que atingiu todos os estados do Nordeste, além do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. Já faz três meses desde o início da tragédia, que chegou a mais de 800 pontos do litoral brasileiro.

No momento, três inquéritos investigam o caso: um da Polícia Federal (PF), no Rio Grande do Norte e dois administrativos feitos pela própria Marinha, na Capitania de Portos de Pernambuco e na Diretoria Geral de Navegação no Rio de Janeiro.

Em audiência pública no Senado Federal, o comandante de Operações Navais da Marinha, Leonardo Puntel, apontou possíveis causas da tragédia ambiental. “Um derramamento acidental, um derramamento intencional, uma operação ship-to-ship, em que o navio tanque passa óleo para outro navio tanque no meio do mar, e um naufrágio de um navio petroleiro. A maior probabilidade é de um navio tanque”, explicou.

A Polícia Federal chegou a apontar o navio grego Bouboulina como o principal suspeito pelos vazamentos mas, segundo a Marinha, ainda não há nada comprovado. Outros 29 embarcações que passaram pela costa do Nordeste no início do derramamento foram notificados.

Puntel ressaltou a dificuldade da detecção das manchas de óleo. “Ele não navega na superfície, ele não é detectável a olho nu. E esse óleo submerso, então, navegou até chegar às praias. Na arrebentação das praias, esse óleo tende a ir para a superfície e então, na maré cheia, ele é acumulado nas praias”, disse.

Na Câmara dos Deputados, a CPI que investiga o derramamento de óleo no litoral brasileiro fez a primeira audiência pública nesta quinta-feira (5). Nela, especialistas criticaram a demora do governo em agir de forma efetiva para reduzir os danos  causados pelas manchas de óleo.

A comissão ainda deve ouvir ministros, autoridades de autarquias e da Marinha, voluntários e outros especialistas.

*Com informações do repórter Levy Guimarães