May pede adiamento do Brexit até dia 30 de junho; UE pretende conceder mais um ano

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 05/04/2019 09h24
EFEA União Europeia pretende oferecer mais um ano de extensão para os britânicos tentarem um entendimento que seja aprovado pela Câmara dos Comuns em Londres

A novela do Brexit que parecia se encaminhar para as cenas finais, mesmo que ninguém tenha ideia de qual será o desfecho da trama, está prestes a ganhar uma nova temporada. A primeira-ministra Theresa May enviou carta a União Europeia pedindo nova extensão no prazo de desfiliação, marcado para a semana que vem.

Agora, a britânica pede que o país continue no bloco até o dia 30 de junho e se compromete a participar das eleições para o parlamento europeu. Mas a alternativa não agrada a muita gente do outro lado do Canal da Mancha.

A União Europeia pretende oferecer mais um ano de extensão para os britânicos tentarem um entendimento que seja aprovado pela Câmara dos Comuns em Londres. A ideia foi anunciada pelo presidente do Conselho Europeu, o polonês Donald Tusk.

Essa prorrogação por um ano poderia ser interrompida a qualquer momento assim que os parlamentares em Londres chegarem a uma conclusão nos debates do Brexit. O problema é a percepção pública em relação ao movimento. Muita gente entende que o governo e a Europa estão empurrando com a barriga para tentar reverter o Brexit no tapetão.

Além disso, o Reino Unido terá que participar da próxima eleição para o parlamento europeu, algo que sequer era cogitado meses atrás. E por fim ainda existe o morde-assopra que a Europa está fazendo.

Nessa encenação, o francês Emmanuel Macron é o policial mal, que pressiona, faz jogo duro e ameaça. Diz que não quer prorrogar prazo nenhum se os britânicos não mostrarem um motivo claro. A alemã Angela Merkel, por sua vez, é o policial bonzinho, mais condescendente e que tenta ajudar. Para ela, é possível seguir negociando para evitar um divórcio litigioso que pode ser bastante problemático para a Irlanda.

Theresa May virou refém das circunstâncias e no fim está claro que agora o desenrolar dos fatos não será mais decidido exclusivamente nem por ela e provavelmente nem em Londres.