MEC pede combate a ‘propagandas político-partidárias’, mas nega vínculo com ‘Escola Sem Partido’

  • Por Jovem Pan
  • 24/09/2019 06h58 - Atualizado em 24/09/2019 09h53
Agência Brasil Ministro quer foco dos alunos em "alfabetização e fazer contas"

O Ministério da Educação (MEC) enviou um ofício a todas as escolas públicas do país com diretrizes visando melhorar o “convívio no ambiente de ensino”. A ação, batizada como Escola de Todos, pede que sejam combatidas o que o governo classifica como “propagandas político-partidárias dentro das instituições de ensino”, pregando o “pluralismo de ideias, respeito às diferenças, combate ao bullying, à automutilação e ao suicídio”.

O ofício determina que os alunos tenham direito “à tolerância de opiniões” e acesso “às diferentes versões, teorias e perspectivas sociais, culturais, econômicas e históricas”. Também veda a “comunicação comercial inadequada” e pede a professores que respeitem “as crenças e convicções, desde que não incitem a violência”, de forma a evitar “constrangimentos e ameaças”.

Questionado, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, negou que as orientações tenham relação com projetos como o Escola Sem Partido, que visam combater uma suposta doutrinação de esquerda nas escolas, e disse que a meta é melhorar o ambiente para os alunos.

“O objetivo, aqui, é buscar uma pacificação do ambiente escolar. Paz. Deixar a militância fora das escolas. Pode-se falar de política de uma forma civilizada, de uma forma plural, não impositiva”, afirmou.

Ele não chegou a oferecer dados sobre a ocorrência do fato e não detalhou de que forma essa fiscalização ou avaliação de professores seria feita nas escolas. Segundo Weintraub, a forma como o ofício seria aplicado ficaria a critério das próprias secretarias.

“Estamos pedindo para cada Estado e município para buscar uma estratégia onde excessos, de qualquer parte, sejam coibidos. Eu acho que o ambiente mais jovem deveria ser focado em alfabetização, fazer contas, coisas mais básicas”, continuou.

O governo ainda estuda apresentar um projeto de lei para proibir a abordagem da chamada ideologia de gênero nas escolas de ensino fundamental. O anúncio foi feito no início do mês pelo próprio presidente Jair Bolsonaro (PSL), mas Weintraub preferiu não responder sobre o assunto nesta segunda-feira (23) e disse que isso vai ser abordado em outra ocasião.

*Com informações do repórter Levy Guimarães