Médicos temem segunda onda da covid-19 no Reino Unido

Estima-se que 5% da população britânica tenha sido contaminada com o coronavírus

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 24/06/2020 08h37 - Atualizado em 24/06/2020 08h44
EFE/EPA/ANDY RAINUm dos grandes problemas dos britânicos no início desta crise parece ter sido mitigado -- que é a capacidade de testar a população

Ao mesmo tempo em que celebra o fim do período mais restrito da quarentena, o Reino Unido se mantém em alerta para o coronavírus. A covid-19 ainda é uma ameaça forte na Europa e o risco de uma segunda onda de contaminações é iminente. Praticamente todos os jornais de Londres estampam suas capas nesta quarta com a notícia que os pubs já têm data para voltar a abrir — 4 de julho.

A preocupação no entanto é que o governo conservador tomou duas grandes medidas de relaxamento da quarentena ao mesmo tempo. Além de permitir a volta de restaurantes, bares e cinemas, ainda reduziu a regra de distanciamento mínimo de dois para um metro. É inegável que essas novas regras ampliam bastante os riscos para a população. Não dá para contar apenas com a utilização de máscaras ou álcool em gel — que continuam sendo vendidos a preços salgados por aqui.

Estima-se que 5% da população britânica tenha sido contaminada com o coronavírus até agora e nada garante que essas pessoas tenham desenvolvido imunidade suficiente para não ficarem doentes outra vez. Lideranças da área de saúde aqui no Reino Unido divulgaram hoje uma carta aberta ao primeiro-ministro cobrando uma avaliação cuidadosa sobre o nível de preparação do país para uma eventual segunda onda de contaminações.

Também não dá para saber se ela é inevitável — mas o risco é alto suficiente para manter as cobranças em cima do governo central. Um dos grandes problemas dos britânicos no início desta crise parece ter sido mitigado — que é a capacidade de testar a população. Atualmente o governo diz ter estrutura para realizar até 200 mil testes por dia, o que permite uma indicação mais clara sobre como o vírus está se comportando.

A Alemanha, que não chegou a ser tão afetada pela covid-19 como a Inglaterra, já está monitorando novos surtos locais. Os Estados Unidos — que tiveram uma abordagem bem menos assertiva que os europeus por suas questões geográficas e políticas — também têm registrado disparada de casos em algumas regiões. Isso indica que ainda não há espaço para muita celebração ou retorno da normalidade pós pandemia.

O problema arrefeceu onde houve quarentena e coordenação para combater a covid-19, mas ele ainda é uma ameaça bastante real. A economia virou prioridade neste estágio, mas os próprios conservadores britânicos reconhecem que o país pode não aguentar a conta de uma segunda onda de contaminações.