Mesmo com vaquinha de Johnson, Big Ben não deve tocar após Brexit no dia 31

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 17/01/2020 10h04
ANDY RAIN/EFENão se trata apenas de dinheiro - existem questões técnicas que também podem impedir o Big Ben de ficar pronto até o dia 31

Pode parecer uma polêmica menor diante da complexidade do assunto chamado Brexit, mas ela simboliza bem os tempos de incerteza e desentendimentos trazidos pelo referendo de 2016.

Os britânicos não conseguem se entender mais nem para definir se o Big Ben deve tocar ou não no dia 31 de janeiro às 23 horas. O momento irá marcar a saída do país da União Europeia e um grupo de parlamentares pediu que o relógio mais famoso do mundo seja ativado.

As badaladas do Big Ben representam a quintessência da sociedade britânica e o momento histórico, em que o país se volta para seus instintos mais territorialistas, precisa de simbolismos nacionais.

Ocorre que o Big Ben, assim como o Palácio de Westminster, está em reformas — todo coberto por andaimes e telas de proteção.

O maquinário do sino e do próprio relógio foi parcialmente desmontado e fazer com que ele toque no dia 31 vai custar caro — o equivalente a quase R$ 3 milhões, para ser mais preciso.

Dinheiro que os cofres públicos não estão dispostos a desperdiçar.

O garoto propaganda do Brexit, o primeiro-ministro Boris Johnson, teve então a ideia de lançar uma campanha de doações para fazer acontecer. Em menos de 24 horas a vaquinha online arrecadou um quarto da verba necessária para ativar o relógio e o sino do parlamento.

E, então, descobriu-se que apesar da mobilização encabeçada pelo líder conservador pode ter sido em vão. Não se trata apenas de dinheiro – existem questões técnicas que também podem impedir o Big Ben de ficar pronto até o dia 31.

Na verdade, a obra toda de restauração do relógio, da torre e do palácio de Westminster ainda deve levar pelo menos mais dois anos.

Quando os trabalhos começaram estava previsto que o relógio e sino fossem ativados em ocasiões especiais como a virada do ano, mas não para marcar talvez o capítulo mais importante da história recente do Reino Unido desde a Segunda Guerra Mundial.

Pode parecer uma discussão menor diante do impacto que o divórcio europeu terá na sociedade britânica. Só que em um país que preza por simbolismos e tradições, o fato do Big Ben não marcar o momento exato do Brexit representa muito.

Sobretudo o quanto este processo está sendo marcado por improvisos e desentendimentos entre os líderes britânicos.