Ministro do STF: “eventuais acidentes de percurso” não comprometem instituto da delação

  • Por Jovem Pan
  • 07/09/2017 07h20 - Atualizado em 07/09/2017 11h35

Coube a Celso de Mello o voto decisivo depois do empate em 5 a 5 entre os ministros do STF

"O instituto da colaboração premiada é um meio legítimo de obtenção de prova e tem se mostrado bastante eficaz", disse o ministro do Supremo

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello, saiu em defesa da utilização da chamada delação premiada. Segundo o ministro, problemas pontuais, não podem desmerecer todo um processo de trabalho. “O instituto da colaboração premiada é um meio de obtenção de prova. Foi incorporado ao Direito brasileiro já há alguns anos. O instituto da colaboração premiada é um meio legítimo de obtenção de prova e tem se mostrado bastante eficaz, mas tenho para mim que eventuais acidentes de percursos jamais vão comprometer a eficácia e utilidade do instituto da colaboração premiada”.

A estratégia da defesa do presidente Michel Temer será tentar anular a delação da JBS. O ministro Celso de Mello, no entanto, explicou que mesmo que a colaboração seja revista, isso não significa que todas as provas serão anuladas.

Dentro do Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer, disse a aliados que estava certo quando desde a divulgação dos primeiros áudios da delação questionou a participação do procurador Marcelo Miller, que era apontado como o braço-direito do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Dentro do Governo a avaliação é que o presidente ganhou força para enfrentar a possibilidade de uma nova denúncia. O problema na avaliação dos governistas é saber, no entanto, qual será o teor da delação do doleiro Lúcio Funaro, que era apontado como operador do PMDB e ligado ao ex-deputado Eduardo Cunha.

Outro ponto que incomodou o Governo foi a descoberta das malas de dinheiro do ex-ministro Geddel Vieira Lima. O discurso oficial é de que essa é uma questão pessoal, que cabe ao ex-ministro se explicar.

Vale lembrar, no entanto, que Geddel era o principal articulador do Governo e cumpre prisão domiciliar acusado de ter tentado evitar a delação de Lúcio Funaro.

*Informações da repórter Luciana Verdolin