Modelo descentralizado de combate à corrupção tem dado certo, garante procurador regional da República

Para Leonardo, o projeto da Unidade Nacional Anticorrupção (UNAC) veio para substituir as forças-tarefas

  • Por Jovem Pan
  • 13/07/2020 09h49 - Atualizado em 13/07/2020 10h14
Eduardo Matysiak/Estadão ConteúdoQuanto aos gastos, o coordenador garantiu que todos os valores restituídos com as forças-tarefas são superiores aos investidos na implementação

O procurador regional da República Leonardo Cardoso de Freitas, que é também coordenador do Núcleo de Combate à Corrupção no MPF da 3ª Região e ex-coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro, é contra a centralização dos processos e afirmou que o modelo atual de combate à corrupção tem sido positivo. Em entrevista ao Jornal da Manhã, ele falou sobre a disputa da PGR com as forças-tarefas e a possibilidade do fim da Lava Jato.

“Esse movimento de centralização me parece um equivoco porque, além da questão da garantia, talvez torne a investigação mais sujeita a ingerência — um olhar mais desatento. Tem uma serie de empecilhos que me parecem contrários a essa ideia. O modelo descentralizado tem dado resultado em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília“, exemplificou.

Para Leonardo, as vantagens da centralização são contrapostas com desvantagens como a questão geográfica que, de acordo com ele, promove uma capilaridade importante. “E concentrar todo investigação de combate à corrupção em qualquer órgão traz mais risco de desatenção — apesar de não achar que isso esteja acontecendo agora. Mas há esse risco”, justificou o procurador. Quanto aos gastos, o coordenador garantiu que todos os valores restituídos com as forças-tarefas são superiores aos investidos na implementação.

De acordo com o procurador, o projeto da Unidade Nacional Anticorrupção (UNAC) veio para substituir as forças-tarefas. “É um modelo centralizado que não será a Lava Jato. Pode ter elementos, semelhanças — mas tem diferenças. Eu advogo o modelo atual, mas sou a favor de que temos que melhorar sempre e fazer autocrítica. A realidade é que um vai substituir o outro”, disse.