Molon condena suposto vazamento, mas não Operação: ‘Há fortes indícios contra Witzel’

  • Por Jovem Pan
  • 27/05/2020 08h55 - Atualizado em 27/05/2020 09h10
Pablo Valadares/Câmara dos DeputadosDe acordo com Molon, o que frusta é a notícia de irregularidades financeiras em um estado como o Rio de Janeiro, que já está falido

O líder no PSB na Câmara dos Deputados, Alessandro Molon, abriu inquérito para investigar se houve ou não vazamento da Operação Placebo, deflagrada na última terça-feira (26) no Rio de Janeiro e que realizou buscas e apreensões na residência oficial do governador Wilson Witzel.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, Molon afirmou que em nenhum momento questiona a Operação em si — mas sim o suposto vazamento dela. “É preciso separar as duas coisas.”

Alessandro Molon se refere à declaração dada pela deputada Carla Zambelli na segunda-feira (25), à Rádio Gaúcha, que “nos próximos meses” a PF iria investigar “alguns governadores”.

Se confirmado, o vazamento reforçaria a denúncia do ex-ministro da Justiça Sergio Moro sobre possíveis interferências políticas na Polícia Federal. Ele também daria força ao discurso de Paulo Marinho, que diz que a Operação Furna da Onça foi adiantada ao atual senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, ao qual gabinete foi alvo da ação.

“Não estamos questionando a Operação, porque ao que tudo indica há fortes indícios da prática de crimes de desvio de dinheiro e enriquecimento ilícito. E isso tem que ser combatido sempre, doa a quem doer. Ninguém está acima das leis.”

De acordo com Molon, o que frusta é a notícia de irregularidades financeiras em um estado como o Rio de Janeiro, que já está falido, não consegue pagar servidores e pessoas morrem por falta de tratamento nos hospitais.

“O Rio de Janeiro não merece isso, especialmente depois de eleger alguém que tinha o discurso de combate à corrupção. Roubar é antiético e deve ser punido em qualquer circunstância, mas nessa é ainda mais grave.”

Molon, no entanto, destaca que não fala em perseguição política contra o governador Wilson Witzel. “Seria leviano da minha parte, até porque os indícios de fraude são fortes e merecem punição. Mas, do outro lado, há a história da acusação de interferência na PF, a troca do diretor-geral e do superintendente no Rio de Janeiro.”