Moro diz que Brasil ‘não vai correr o risco’ de ter Lula e Bolsonaro no 2º turno

Ex-juiz afirmou que brasileiros não estarão fadados a ‘escolhas trágicas’ ou a cometer ‘suicídio político’ ao ter de escolher entre o petista e o atual presidente

  • Por Jovem Pan
  • 18/01/2022 09h43 - Atualizado em 18/01/2022 12h08
Cláudio Reis/Enquadrar/Estadão Conteúdo - 25/11/2021 De máscara, com o microfone do Jovem Pan à sua frente (do lado esquerdo), Sergio Moro dá entrevista a jornalistas Para Sergio Moro, a única razão para alguém optar por votar em Lula ou Bolsonaro é evitar um deles

O pré-candidato à presidência da República, Sergio Moro, rechaçou a possibilidade do Brasil ter um segundo turno nas eleições deste ano entre o ex-presidente Lula e o atual presidente Jair Bolsonaro. Durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan News, nesta terça-feira, 18, ao ser questionado se, hipoteticamente apoiaria um dos candidatos, o ex-juiz minimizou a possibilidade da disputa e afirmou que o Brasil não será submetido a “escolhas trágicas”. “O Brasil não vai correr esse risco, não vamos ser submetidos a essas escolhas trágicas. […] Nem quero pensar em mais quatro anos de Bolsonaro ou Lula, seria tão trágico. No mínimo, perdemos quatro anos, mas há risco de comprometer o nosso futuro de maneira significativa. São governos que estão comprometidos com modelos de corrupção. Mas temos tempo, vocês não estão fadados a cometer suicídio político“, afirmou o ex-Ministro da Justiça. 

Na visão dele, a única razão para alguém optar por votar em Lula ou Bolsonaro é evitar um deles, não sendo o verdadeiro desejo dos brasileiros. “As pessoas querem no fundo um governo que melhore a vida delas, que dê oportunidade para o país voltar a crescer, ter emprego e renda. […] Há uma insatisfação, ninguém quer essa polarização entre esses dois extremos, porque as pessoas perceberam que eles pouco têm a oferecer, além de ser alternativa um do outro”, pontuou Moro. Candidato à presidência, o ex-juiz reconhece os altos índices de rejeição que enfrenta e culpa as “mentiras e fake news” pelo seu trabalho feito na Lava Jato e no Ministério da Justiça. “Acho natural essa rejeição, mas pesquisas têm apontado que tem caído. Quando saio na rua não tenho visto a rejeição que as pesquisas estão apontando, pelo contrário”, completou.

Ainda durante a entrevista, Sergio Moro também foi questionado se estaria arrependido de ter aceito o convite de Jair Bolsonaro para integrar o governo. O ex-ministro reconheceu que o presidente já era uma “pessoa controvertida”, mas que enxergava uma chance da gestão “dar certo”, o que o fez aceitar o cargo. “Muita gente quando aceitei disse: ‘Fiquei feliz que você vai estar lá e vai servir como anteparo dos arroubos do Bolsonaro’. Eu esclareci que não estava indo por um cargo, mas um projeto”, afirmou Moro, que disse ter sido sabotado. “Se tivesse ido apenas pelo prestígio de ser ministro da Justiça, eu tinha ficado lá. Mas preferi sair, porque não compactuo com coisa errada. Fui porque achava que tinha uma chance de dar certo e achava que o projeto era mais importante do que me omitir dessa possibilidade de erro”, afirmou. 

Sobre as eleições deste ano, o ex-juiz disse não ter medo de ser confrontado sobre decisões à frente da Lava Jato que foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal. Ele disse respeitar a Suprema Corte, mas ponderou que a situação é lamentável. Para o pré-candidato, os casos de corrupção envolvendo o governo petista são inegáveis, não uma “invenção de Curitiba”. “O que as anulações revelam é que estamos voltando ao cenário de que ricos e poderosos nunca sofrerão as consequências de seus atos. Ainda que cometa crimes, ainda que roube, não vai para cadeia. Temos que resgatar aquilo da Lava Jato que é um país mais justo, que ninguém está acima da lei”, defendeu Moro, que completou: “Essas decisões de anular geram sentimento de indignação no brasileiro, que quer um governo honesto. Se não tivermos gente honesta no governo, não temos como ir para frente. Brasileiro quer um governo honesto, que combata a corrupção.”