Movimento ‘Não Demita!’ já evitou 1,5 milhão de demissões nas empresas

  • Por Jovem Pan
  • 11/04/2020 10h09 - Atualizado em 11/04/2020 10h09
Paulo Marques/Estadão ConteúdoOutra proposta do movimento é que uma parcela menor da população seja afetada pelo coronavírus

Economistas e autoridades estão preocupados com a crise econômica que o Brasil pode enfrentar por conta do avanço do coronavírus e da paralisação das atividades comerciais no país. Diante disso, empresários tem defendido inclusive o fim do isolamento, medida adotada para diminuir as chances de contágio pela covid-19.

Entretanto, na contramão da situação, empresas lançaram o movimento “Não Demita!” para incentivar a manutenção dos empregos durante a pandemia. O presidente do conselho da Ânima Educação e idealizador da campanha, Daniel Castanho, explicou em entrevista ao Jornal da Manhã deste sábado (11) os objetivos da ação.

“Assim como a gente tem que manter o isolamento para diminuir a curva, nesse momento, as empesas têm a responsabilidade de diminuir a curva de demissões para uma retomada mais rápida da economia.”

A proposta é garantir que todos os empregos sejam mantidos por, pelo menos, dois meses. Segundo Daniel, diariamente novas empresas aderem ao movimento que registrou, nas últimas 24 horas, 800 novos apoiadores. Até o momento, cerca de 1,5 milhão empregos já foram poupados pelos participantes.

“Começou com um manifesto que escrevemos, depois 40 empresas aderiram e então virou um movimento. Nesse momento temos mais 3,500 empresas que já aderiram. Os dados de agora, 1,5 milhão de pessoas estão sendo (positivamente) impactadas porque são funcionários diretos dessas empresas.”

Além de apoiar a manutenção dos empregos, outra proposta é que, com a manutenção do isolamento e da quarentena, uma parcela menor da população seja afetada pelo coronavírus.

“A gente tem que manter até o ponto do pico para garantir que a quantidade de pessoas que precisem de UTI seja menor que a capacidade médica. Você nunca pode chegar ao ponto de que uma pessoa morra por falta de instrutura médica.”

Outras alternativas

Daniel defendeu ainda que, antes de demitir, as empresas têm outras alternativas para se adequar à crise, incluindo as ações do governo federal.

“O governo está dando algumas alternativas e aí depende de cada caso. Se é um comércio, ou uma indústria, uma das coisas que a gente precisa é abrir mão de parte do resultado do próximo trimestre. Se pensar apenas no curto prazo vamos demorar para retomar a economia.”

Para o idealizador da campanha, o ideal é que as empresas busquem transparência com os funcionários. “Seja transparente, tenha confiança, abram os seus números. Encarem (os funcionários) como seus sócios. Eu acho que muitas das soluções virão de repensar com os times as alternativas.”