MPF diz que Vale privilegiou lucro ao construir barragem em Brumadinho

  • Por Jovem Pan
  • 15/02/2019 06h33 - Atualizado em 15/02/2019 10h11
EFEMPF: Vale privilegiou o lucro ao construir a barragem de Brumadinho a montante, permitindo que o refeitório dos trabalhadores estivesse na linha de percurso de lama de rejeitos

A tragédia de Brumadinho já deixa 166 mortos e 147 desaparecidos. Em reunião da Comissão Externa do Desastre de Brumadinho na Câmara dos Deputados, o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, afirmou que a empresa não pode ser condenada pelo o que chamou de “acidente”.

Questionado sobre o motivo da parte administrativa da empresa ser construída logo abaixo da barragem, Schvartsman declarou que as decisões sobre locais de construção dos refeitórios não passam pela diretoria.

Em parecer divulgado nesta quinta-feira (14), o Ministério Público Federal diz que a Vale privilegiou o lucro ao construir a barragem de Brumadinho a montante, permitindo que o refeitório dos trabalhadores estivesse na linha de percurso de lama de rejeitos.

Em relatório, o subprocurador-geral da República, João Pedro Mello Filho, defende que a tragédia não se deu apenas pela negligência dos técnicos em atestar a segurança da barragem nos laudos, mas pela própria decisão da empresa de construir o empreendimento em um local inadequado, estando acima todos. Cabe agora ao Ministério Público de Minas Gerais utilizar ou não o parecer.

Rio Paraopeba

Mais de 300 quilômetros de rio já foram contaminados pelos rejeitos do rompimento na Barragem de Mina do Feijão. Após expedição de 10 dias no Paraopeba, a Fundação SOS Mata Atlântica afirma que os níveis de resíduos sólidos na água do rio estão três vezes acima do permitido pela legislação e dificilmente a contaminação do leito será revertida.

A análise da qualidade da água foi feita em 22 pontos diferentes. Técnicos do órgão percorreram o rio Paraopeba desde o Córrego do Feijão, local do rompimento, até o reservatório de Retiro Baixo, em Felixlândia.

Segundo a Fundação, ainda houve uma perda de 112 hectares de florestas nativas, sendo 55 hectares de áreas bem preservadas. Nos próximos dias, a organização deve finalizar o relatório completo, que será apresentado no dia 27, em Brasília.

Indenizações

Nesta quarta-feira, parentes das vítimas, empregados e terceirizados da Vale que foram atingidos pelo rompimento, rejeitaram em Assembleia a proposta de indenização feita pela empresa.

Segundo depoimentos de alguns presentes, o clima de indignação ainda prevalece e o objetivo das famílias neste momento é encontrar os corpos dos parentes.

A segunda audiência para definir medidas emergenciais a serem tomadas pela Vale para as vítimas e outros atingidos da tragédia, como os desabrigados, terminou sem acordo nesta quinta-feira.

A reunião contou com representantes da empresa, do Ministério Público, da defensoria Pública e de comunidades afetadas. Entre os pontos que impediram o acordo está a duração do pagamento a ser feito aos atingidos.

*Informações da repórter Victoria Abel