MPF processa Paulo Preto por prejuízo de R$ 7,3 milhões aos cofres públicos

Também foram ajuizadas ações contra o ex-chefe do departamento de assentamento da estatal, José Geraldo Casas Vilela, e a funcionária Mércia Ferreira Gomes

  • Por Nicole Fusco
  • 08/08/2019 07h25 - Atualizado em 08/08/2019 07h27
Estadão Conteúdo O ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto

O Ministério Público Federal de São Paulo processou o ex-diretor da empresa estatal paulista Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa) Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, no âmbito da Operação Lava Jato. Também foram ajuizadas ações contra o ex-chefe do departamento de assentamento da estatal, José Geraldo Casas Vilela, e a funcionária Mércia Ferreira Gomes.

Eles foram processados por atos de improbidade administrativa que causaram prejuízos de R$ 7,3 milhões aos cofres públicos. Os procuradores afirmam que o ex-diretor da Dersa comandou um esquema de desvio de verbas destinadas ao reassentamento de pessoas desalojadas por três grandes obras viárias em São Paulo, entre 2003 e 2011. Essas obras eram: o Rodoanel Sul, a nova Marginal Tietê e o prolongamento da avenida Jacu Pêssego.

De acordo com o MPF, Mércia Ferreira era responsável pela identificação de pessoas que moravam nos locais desses empreendimentos. A mando de Paulo Preto e Geraldo Vilela, ela teria incluído parentes e pessoas próximas que não residiam na região das obras.

Algumas pessoas foram, inclusive, cadastradas em mais de um programa de reassentamento, recebendo indenizações em dobro. Além disso, 1.773 beneficiários irregulares no empreedimento Jacu Pêssego receberam pagamentos indevidos.

Na ação, o MPF pede que os três envolvidos sejam condenados a ressarcir o prejuízo gerado e o pagamento de multa civil de até duas vezes o valor do dano, o que soma R$ 14 milhões. Se condenados, os três também terão os direitos políticos suspensos por oito anos, perderão eventuais funções públicas que ainda exerçam e ficarão proibidos de contratar com o poder público ou desse receber incentivos fiscais ou creditícios pelo prazo de cinco anos.

Paulo Preto responde a seis ações penais, além dessa instaurada nesta quarta-feira, que é cível. Só em são Paulo, são três processos, com duas sentenças de primeiro grau, cujas penas somam 172 anos. Já foram apreendidos dois imóveis e uma lancha de propriedade do ex-diretor da Dersa.

No Rio, uma ação penal foi instaurada na última terça-feira (6). Paulo Preto já foi alvo de duas prisões preventivas, uma em São Paulo e a outra em Curitiba.