Na véspera da eleição, impasse político continua na Espanha

  • Por Jovem Pan
  • 09/11/2019 10h26
EFEPartido de Pedro Sánchez, principal concorrente, não deve conseguir maioria no Congresso

Os espanhóis retornam às urnas neste domingo (10) pela segunda vez em pouco mais de seis meses. O objetivo é tentar quebrar um impasse que vem paralisando o país politicamente e, claro, com consequências também na economia.

O problema é que essa eleição não deve resolver muita coisa. De acordo com as pesquisas de opinião, dificilmente alguma das correntes políticas no país – seja a esquerda ou a direita – vai conseguir alcançar maioria no Congresso.

Em Madri, o Congresso 360 cadeiras e, para conseguir a maioria, são necessárias 176 – ou seja, a maioria mais um. O Partido Socialista, que atualmente está no poder, deve conseguir 117 delas, segundo projeções do jornal El País. Considerando a margem de erro, pode chegar, no máximo, até 139. O mesmo acontece com o PP, de centro-direita, um dos mais tradicionais da Espanha, deve alcançar 92 cadeiras – esticando, no máximo, para 113.

Agora, as atenções estão voltadas para o atual primeiro-ministro, Pedro Sánchez, que pode mudar sua tática de negociação. Entre as alternativas, está ampliar o diálogo com os outros partidos da esquerda; tentar algum tipo de união ou até mesmo abrir concessões com partidos como o Podemos, de extrema-esquerda.

A Espanha tem, atualmente, duas questões principais dividindo os eleitores: a polarização que toma conta de todo o Ocidente entre esquerda e direita e um outro tema, bastante delicado – a questão da Catalunha. Apesar de estar pautado no país há alguns anos, o clima em torno do problema está mais tenso por causa da condenação de diversos ativistas catalães nas últimas semanas.

Os protestos tomaram conta de Barcelona e até as partidas de futebol, por lá, tem sido marcadas por manifestações a favor do movimento. A posição de Sánchez sobre a questão sempre foi considerada muito suave em relação ao movimento separatista e, por isso, alguns partidos tem conseguido angariar votos nessa brecha deixada pelo primeiro-ministro.

Além disso, a economia do país vem se recuperando de forma bastante frágil nos últimos anos. O desemprego segue muito alto, acima dos 25% para os mais jovens e, caso o impasse político não seja resolvido, os efeitos na recuperação econômica podem ser devastadores.

*Com informações do repórter Ulisses Neto