“Não sou político, sou empresário”, diz candidato João Doria Jr.

  • Por Jovem Pan
  • 14/09/2016 10h13
João Doria Jr. (PSDB) foi o terceiro candidato à Prefeitura de São Paulo a ser sabatinado no Jornal da Manhã da Jovem Pan

O candidato à Prefeitura de São Paulo João Doria Jr. (PSDB) não rejeita a imagem de empresário predominante sobre a de político. Ele usa essa caracterização para ganhar a simpatia dos que estão descontentes com a classe política (“até com certa dose de justiça”), em especial na periferia da capital, onde diz “gastar a sola do sapato” durante a campanha e garante ser “muito bem recebido”. “Não sou político, sou um administrador, sou empresário, sou gestor”, apresentou-se Doria em sabatina ao Jornal da Manhã da Jovem Pan nesta quarta-feira (14).

Doria quer “usar o padrão Poupatempo” na cidade, citando serviço estadual que considera de “alta qualidade”. “Vamos fazer aquilo que o PT morre de medo de faz”, afirma também, apostando nas privatizações e concessões.

Além da prometida privatização da sambódromo do Anhembi, do autódromo de Interlagos e da concessão temporária do estádio do Pacaembu, Doria pretende levar o “viés empresarial” que assume para serviços como o transporte público.

Doria quer vender espaços publicitários em aplicativos de celular para consulta aos horários de ônibus. Com a verba, as empresas poderiam viabilizar sua promessa de “ter exclusivamente ônibus articulados e biarticulados” nos corredores, que “deverão ter obrigatoriamente acessibilidade, GPS e Wi-fi”. Seria uma “concessão para que os corredores possam ser explorados tecnicamente”.

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Doria ainda prometeu “zerar” as filas de exames em hospitais municipais em apenas um ano, pagando para que a população realize os procedimentos médicos em hospitais particulares durante a madrugada, das 20h às 8h. Isso, avalia, seria mais barato do que comprar novos equipamentos.

Questionado se suas promessas não barrariam na burocracia do serviço público como um “passe de mágica” empresarial, Doria rebateu: “não é passe de mágica, é passe de gestão”.

Creches

Para combater o déficit de 103 mil vagas nas creches municipais, Doria promete melhorar o programa de Fernando Haddad (PT) de terceirização e “fazer concessões com creches menores para 20, 40 e 60 crianças no máximo”, com três classes de 20. Doria entende que, se as crianças não têm acesso à educação até os três anos de vida, elas “já nascem condenadas a serem fracassadas na vida”.

Doria propõe também: “vamos incentivar nos terminais de ônibus, em princípio, que acabaram de ser concessionados ao setor privado, que seja obrigatória a contrução de creches ali”. A obrigatoriedade valeria para os terminais ainda a serem construídos.

Transporte

Além dos ônibus articulados e com ar-condicionado nas faixas exclusivas, Doria prometeu revogar o aumento de velocidade nas marginais Pinheiros e Tietê na primeira semana de governo e analisar “caso a caso” as mudanças promovidas por Haddad no restante da cidade. O tucano disse que apostará em campanhas educativas no rádio e na TV para reduzir as mortes no trânsito, motivo alegado para a política do atual prefeito. Dória vê como “falácia” o argumento de Haddad de que a diminuição de velocidade causou a queda de acidentes.

Ele disse também que os agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) não iriam mais aplicar multas de trânsito em sua eventual gestão. “O agente da GCM vai para rua vigiar, proteger as pessoas e proteger os patrimônios públicos”, afirmou. A ciclovias e ciclofaixas, disse Doria, seriam “mantidas e preservadas onde estiverem funcionando”.

Reforma da Previdência e direitos trabalhistas

O candidato a prefeito de São Paulo se recusou a comentar as propostas do governo federal de Michel Temer de mudar as regras de aposentadoria e alterar as leis trabalhistas, projetos apoiados por seu partido, PSDB. “Temas nacionais eu só vou poder me manifestar quando for eleito prefeito”, limitou-se a dizer.

Alianças

Doria foi questionado sobre aliança que fez com o Partido Progressista (PP), que integra em seus quadros o ex-prefeito e deputado federal Paulo Maluf, condenado na França por lavagem de dinheiro. Ele diz que não quer desrespeitar Maluf “por causa da idade” e prefere trocar o deputado de referência: “o PP com o qual nós fizemos acordo não é o PP de Paulo Maluf, é o PP de Guilherme Mussi”, tenta argumentar. Doria também não quer tirar a famosa foto em que Haddad e Lula abraçaram Maluf em 2012: “eu não abraço Paulo Maluf”.

Apoiado pelo governador Geraldo Alckmin, que atuou na administração estadual para fortalecer a base de Doria nas eleições, o candidato nega: “não teve negociação de cargo nenhum”. “Indicações sim, faz parte do jogo político, mas partilha, não”, tenta diferenciar Doria. Ele enfatiza, em vez disso, a “chapa pura”, só com candidatos do PSDB, que fez com Bruno Covas.

Divisão do PSDB e slogan

Apesar do racha causado no PSDB com sua candidatura, Doria prega o discurso da união. “Tudo a seu tempo. Estamos somando forças”, diz. Ele espera que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro José Serra gravem mensagens de apoio a sua campanha. “FHC vai gravar a seu tempo”, garantiu. “Quem sabe a seu tempo Serra gravará”, torce Doria.

Sobre o slogan de sua candidatura, “Acelera SP”, mesmo nome de programa estadual de seu padrinho Geraldo Alckmin, Doria afirma: “nem sabia que existia esse programa” e “(o programa) foi tão irrelevante que ninguém nem lembrava”. Doria diz ter “muito orgulho” da “amizade” com Alckmin, a quem chama de “homem digno, honesto”.

Valor da campanha

O empresário João Doria Jr., que já doou mais de R$ 1,2 milhões à própria campanha, diz que não concorda com a regra estabelecida pelo Supremo Tribunal Federal que proíbe doações de pessoas jurídicas. “Eu não considero isso justo, ainda que isso me beneficie”, afirmou.

“É a regra, a regra foi feita assim, eu não concordo com ela, acredito que é injusta, mas é essa regra que foi colocada”, disse Doria, que possui patrimônio pessoal de R$ 179,7 milhões, de acordo com o declarado ao Tribunal Superior Eleitoral.