Citados em relatório da CPI reagem a pedido de indiciamento; Planalto avalia acionar PGR

Mais de 60 pessoas, incluindo o presidente da República, Jair Bolsonaro, tiveram o indiciamento proposto pelo relator Renan Calheiros por vários crimes

  • Por Jovem Pan
  • 21/10/2021 08h36 - Atualizado em 21/10/2021 12h59
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDORelatório final de Renan Calheiros na CPI da Covid-19 gerou reações de pessoas citadas e que tiveram o indiciamento solicitado

Após a entrega do relatório final da CPI da Covid-19, feito pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), personalidades citadas no documento reagiram quase instantaneamente. Mais de 60 pessoas tiveram o indiciamento proposto por vários crimes. A Precisa Medicamentos e Francisco Maximiano, dono da empresa, disseram “negar veementemente as supostas acusações”. A defesa do empresário Carlos Wizard, por sua vez, disse que “a pretensão de responsabilizá-lo por epidemia culposa com resultado morte beira o ridículo, pois ele não definiu políticas”. Em nota, a Prevent Senior diz contestar o relatório e os indiciamentos, além de ter a ciência da necessidade uma investigação sem condução ou conotação política e que seja feita por autoridade respeitável como o Ministério Público. O empresário Luciano Hang disse estar agradecido e honrado por ter participado da CPI, mas não poupou críticas ao relator Renan Calheiros. “É esse que está sentado na cadeira de relator querendo indiciar a maioria médicos, pessoas do bem, que tentaram melhorar a saúde do brasileiro, tentaram arranjar emprego para os brasileiros, defender a saúde, a vida e a economia. São essas pessoas que hoje fazem parte desse relatório do Renan Calheiros, um homem já processado 25 vezes. É uma vergonha”, disparou Hang.

O líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), disse que irá processar Calheiros. “Ele termina de ler o relatório, e eu vou, porque ele já expressou sua posição, vou processá-lo por denunciação caluniosa e por abuso de autoridade, porque, no caso Covaxin, por exemplo, todas as pessoas que ele ouviu negaram a minha participação”, pontuou Barros. Em entrevista ao programa ‘Os Pingos nos Is’, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, afirmou que o relatório contém perseguição política. “E se for possível, eu vou fazer uma sugestão, através de uma peça, de alguma maneira, para que seja imputado ao senador Renan Calheiros o crime de abuso de autoridade, que é o que aconteceria se um juiz agisse como agiu o Renan”, alegou. O senador Jorginho Mello (PL-SC), membro da CPI da Covid, do lado governista, também disse à Jovem Pan discordar totalmente do relatório. “Desde o início, eu sempre me manifestei que o senador Renan, sem guarda-roupa político e moral para fazer nada, para coordenar comissão nenhuma, ele começou a construir um enredozinho para terminar nessa novelinha que é condenar o presidente Bolsonaro. Eram 11 crimes”, comentou. Nos bastidores do Palácio do Planalto é aventado que seja feita uma ofensiva contra Renan Calheiros. Há previsão de reunião com o advogado-geral da união para ingressar com uma ação e pedir o arquivamento de todo o relatório.

*Com informações do repórter Fernando Martins