O PT é o melhor inimigo que Michel Temer poderia ter
Quando ainda não havia motivo no atual mandato para afastar o presidente, a não ser a ilegitimidade da chapa eleita em 2014, formada por Dilma e abastecida pelo petrolão, os petistas já estavam nas ruas gritando “Fora Temer” só por rancor e dor de cotovelo.
Eles chamavam de golpe o impeachment por crime de responsabilidade no caso das fraudes fiscais e acusavam Temer de golpista por ter contribuído em articulações de bastidor pela derrubada legal de Dilma, pela qual brasileiros tomaram as ruas.
Quem do povo iria, pouco depois de 14 anos de corrupção e demagogia, juntar-se aos militantes petistas para gritar em coro, ainda que agora por razões no mínimo legítimas, “Fora Temer”, ou ao menos “Deixe o Supremo julgar”, como preferia o procurador da Lava Jato Carlos Fernando Lima. Ninguém, claro.
Qualquer governo, por mais imoral que fosse, parecia tão melhor que o do PT, que a população, já cansada de protestar, preferiu deixar tudo como está e esperar por 2018.
Cientes de que a campanha do medo funciona, o governo de Michel Temer, seus porta-vozes e seu exército virtual ainda investiram pesado na narrativa repetida, por exemplo, pelo deputado Mauro Pereira (PMDB-RS), na sessão de votação da denúncia da PGR contra o presidente. Ele alegou que quem votasse contra Temer estaria votando com Gleisi Hoffmann, PT e CUT.
Soma-se a isso o discurso pela “estabilidade” em contraste com a crise legada por Dilma e pronto: temos uma variante moderna do “rouba, mas faz” contra o “rouba e desfaz” dos petistas.
Lula, no entanto, não está nem aí para o teatro. Que o PT tenha dado o quórum para que a denúncia fosse arquivada foi mais um sinal de que o comandante máximo conta mesmo com Temer no governo para melar a Lava Jato e se desgastar com isso, enquanto Temer conta com o fantasma de Lula para esvaziar as ruas.
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