O que esperar do discurso de Lula na abertura da Assembleia-Geral da ONU?

Presidente deve reforçar soberania, criticar sanções dos EUA e convidar países para a COP30, em meio à pior crise diplomática com Washington em décadas

  • Por Jovem Pan
  • 23/09/2025 08h00 - Atualizado em 23/09/2025 09h56
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Lev Radin/EFE/EPA O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa durante a Conferência Internacional de Alto Nível para a Solução Pacífica da Questão da Palestina e a Implementação da Solução de Dois Estados, na sede das Nações Unidas O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa durante a Conferência Internacional de Alto Nível para a Solução Pacífica da Questão da Palestina e a Implementação da Solução de Dois Estados, na sede das Nações Unidas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abre nesta terça-feira (23) a 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, mantendo a tradição de o Brasil ser o primeiro país a discursar. A fala ocorre em meio a um dos momentos mais delicados das relações com os Estados Unidos em décadas, marcado por sobretaxas a produtos brasileiros e sanções contra autoridades nacionais. O tom do discurso é aguardado com atenção, já que Lula sobe ao púlpito minutos antes do presidente norte-americano, Donald Trump, que participa pela primeira vez da assembleia desde o retorno à Casa Branca.  Embora não esteja prevista uma reunião formal, há expectativa sobre um eventual encontro nos corredores da ONU.

Segundo assessores, Lula deve abordar temas como soberania nacional, defesa da democracia, críticas ao protecionismo e ao aumento de 50% nas tarifas americanas, além da necessidade de reformas na própria ONU. Questões ambientais também estarão em destaque, com convite oficial para que países participem da COP30, em novembro, no Brasil.

A guerra entre Rússia e Ucrânia e o conflito em Gaza devem aparecer no discurso como exemplos da paralisia da ONU diante de crises internacionais. Apesar das divergências com Trump, a avaliação do Itamaraty é de que Lula evitará citar diretamente o presidente americano, buscando criticar medidas e posturas sem personalizar o embate.

O pronunciamento ganha peso adicional após Washington anunciar novas sanções: o bloqueio de bens e a proibição de transações financeiras para Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e a revogação do visto do advogado-geral da União, Jorge Messias. Autoridades brasileiras veem nas medidas uma tentativa de interferência política, especialmente após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo STF.

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Diplomatas avaliam que Lula enfrenta um teste crucial. De um lado, precisa marcar posição em defesa do Brasil e reforçar sua imagem de liderança global; de outro, deve evitar improvisos que possam agravar ainda mais a crise com os Estados Unidos. O equilíbrio entre firmeza e pragmatismo será determinante para medir os efeitos do discurso nas relações bilaterais e na posição do Brasil no cenário internacional.

*Com informações de Igor Damasceno

*Reportagem produzida com auxílio de IA

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