Eduardo Leite formaliza proposta para a Previdência e alerta: ‘O RS é o Brasil de amanhã’

  • Por Jovem Pan
  • 08/10/2019 10h04
Edu Chaves/Estadão ConteúdoDe acordo com Eduardo Leite, para fechar a conta, além da contribuição dos servidores e do Estado, faltam R$ 12 bilhões

O governo do Rio Grande do Sul vai enviar à Assembleia Legislativa do Estado um pacote de reforma da Previdência. Na proposta, os inativos devem pagar mais e o desconto pode chegar a 18%.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, o governador Eduardo Leite (PSDB) ressaltou que o Rio Grande do Sul é o estado com o pior déficit per capta previdenciário do Brasil, e que isso precisa ser enfrentado.

De acordo com ele, para fechar a conta, além da contribuição dos servidores e do Estado, faltam R$ 12 bilhões. “Quem paga a conta ou é a sociedade toda ou nós reorganizamos a estrutura previdenciária e de carreira para que essa pressão deixe de acontecer”, explica.

O governador disse que antecipou o debate e está apenas aguardando a conclusão da votação da reforma da Previdência no Congresso para que possa entrar com a proposta para o Estado – que prevê também uma reestruturação de carreira do serviço público, além de novas alíquotas e base de contribuição para aposentados.

O governador lembra que o déficit atuarial – aquele que considera os aposentados, pensionistas, servidores em atividade e a perspectiva a longo prazo – chega a R$ 370 bilhões. “Nós estamos indo ao limite do que consideramos possível dentro da estrutura jurídica do Brasil. Com a reforma, esse valor seria reduzido em R$ 90 bilhões. Talvez não seja o suficiente para o futuro, mas é o necessário para o presente”, afirma.

Brasil no futuro

Questionado sobre a “fama” do Rio Grande do Sul de sempre estar à frente dos outros Estados, Eduardo Leite atribuiu à ela a dívida atual. “O estado do Rio Grande do Sul primeiro universalizou serviços com maior investimento em educação no passado, e essa boa condição é o que pressiona a sustentabilidade financeira.”

“Temos um deficit maior porque temos uma população que envelhece mais rápido e mais servidores públicos, porque os serviços foram ampliados antes do que o resto do país”, explica. “O Rio Grande do Sul é o Brasil amanhã. Está acontecendo aqui primeiro o que o país, se não enfrentar de forma mais decisiva, vai enfrentar nas próximas décadas.”