Operação do MP prende acusados de quadrilha que extorquia idosos; mais de 300 pessoas caíram no golpe

  • Por Jovem Pan
  • 28/06/2019 08h33
Tânia Rêgo/Agência BrasilDe acordo com as investigações, o esquema era comandado por nove irmãos; o líder deles ainda está sendo procurado pela Polícia

A organização criminosa que extorquiu centenas de aposentados e pensionistas atuava desde 2013 em quatro estados diferentes: São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia. O esquema foi descoberto em ação conjunta do Ministério Público e das polícias do Rio e de São Paulo.

Os criminosos agiam por meio de 14 falsas associações que mandavam cartas aos beneficiários notificando uma suposta decisão do STF que dariam a eles o direito de revisão judicial dos benefícios. Mais de 300 pessoas denunciaram as ações após se darem conta do golpe.

Ao procurar as organizações, os idosos eram levadas a assinar contratos, se tornando associados. Eles eram então coagidos a pagar uma anuidade a associação, que variava de R$ 1 mil a R$ 3 mil. Quando não pagavam o valor, a quadrilha entrava com uma ação de cobrança na Justiça para receber os valores.

O delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro Cláudio Vieira chama atenção para o perfil de baixa renda das pessoas atingidas. “Muitas delas eram oriundas de comunidades, recebendo aposentadoria ínfima. Uma covardia”.

Segundo os investigadores, o grupo criminoso era coordenado por nove irmãos. O líder era Aparecido Pimenta de Moraes Arias, que ainda está sendo procurado pelo Polícia.

Além das associações, o bando mantinha mais de 100 empresas de fachada para movimentar e lavar dinheiro. O promotor se Justiça Walter de Oliveira afirma que a organização criminosa ainda contava com um núcleo jurídico para orientar as ações.

O inquérito para investigar a quadrilha foi aberto em 2015. Trinta e três integrantes são acusados de estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Dezesseis deles já estão presos preventivamente.

A operação deflagrada nesta quinta-feira (27) também realizou buscas em 24 locais no estado de São Paulo, incluindo imóveis de luxo. Armas, munição e R$ 300 mil reais em dinheiro foram apreendidos.

Segundo o Ministério Público, um pedido de bloqueio de bens dos criminosos já está em andamento. O dinheiro apreendido poderá ser utilizado para ressarcir os prejuízos.

*Com informações da repórter Victoria Abel