Oposição aposta em Lula para se fortalecer

  • 18/11/2019 06h52
REUTERS/Amanda PerobelliDesde o fim de semana, Lula iniciou uma série de viagens pelo país, a começar pelo Nordeste

Passados 11 dias da saída do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da prisão, lideranças de Brasília ainda fazem projeções de como – e se – a volta do petista à arena política pode mudar o atual jogo de forças.

No Congresso, membros da oposição que consideravam injusta a prisão de Lula e celebraram a soltura acreditam em um fortalecimento da esquerda na tentativa de barrar a agenda de reformas do ministro da Economia Paulo Guedes e se reconectar com alguns setores da sociedade.

O deputado Carlos Zarattini, do PT, aposta em uma capacidade de diálogo do ex-presidente. “O presidente Lula é um articulador nato. É uma pessoa que conversa com todo mundo. Ele vai conversar, vai articular. Nós vamos constituir uma oposição muito forte para impedir que o povo brasileiro continue sendo prejudicado.”

Já o líder do PSOL na Câmara, deputado Ivan Valente, crê que a esquerda já possui uma ação unificada contra o Governo, independente do ex-presidente Lula.

Ele aposta que o principal papel do petista é nas ruas. “Não necessariamente incide sob a ação política conjunta dos partidos na Câmara. Ela incidirá mais propriamente na sociedade civil. Isso significa que a oposição pode ter uma pressão mais forte, politicamente.”

Porém, parlamentares de diferentes partidos chamam atenção para que a esquerda saiba ter uma pauta propositiva e que não se prenda ao lulismo e à polarização entre ele e o presidente Jair Bolsonaro.

O líder do PSB na Câmara, deputado Tadeu Alencar, considera natural que Lula retome a militância mas, para ele, a oposição deve evitar que os ânimos se acirrem ainda mais.

“Temos que apostar na pacificação do país, o Governo Bolsonaro já gera muita instabilidade. Termos que contribuir para que o Brasil viva momentos de maior tranquilidade.”

Desde o fim de semana, Lula iniciou uma série de viagens pelo país, a começar pelo Nordeste. Além de manter um diálogo mais próximo com o PC do B e o PSOL desde quando estava na prisão, ele já começou a se reunir com lideranças do PSB.

Os petistas também dão como certa uma reaproximação com o PDT, apesar das recentes rusgas do ex-presidenciável Ciro Gomes com o ex-presidente.

*Com informações do repórter Levy Guimarães