“Perderemos o controle se continuar assim”, diz prefeita sobre chegada de venezuelanos em RR

  • Por Jovem Pan
  • 20/06/2018 09h08
Antônio Cruz/Agência Brasil"Vamos ter uma cidade de abrigos se a gente não tomar essa posição de levar pelo menos 500 pessoas por mês para outros Estados", disse a prefeita

Ainda em situação preocupante, o Estado de Roraima sofre com a chegada diária de refugiados venezuelanos principalmente na cidade de boa Vista.

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, a prefeita do município, Teresa Surita, ressaltou que as pessoas continuam chegando e que foi calculado, em um mapeamento, que todo mês chegam à cidade 1,2 mil venezuelanos.

A situação, se continuar assim, teria que montar um abrigo por mês. Porque a média de pessoas a serem abrigadas é de 500 a 600. Essas ficam desassistidas todo mês. A gente perde controle da cidade se continuar assim até o final do ano”, disse. “Hoje temos oito abrigos ativos e dois sendo preparados para receber mais cerca de 1,2 mil pessoas. Temos 2 mil pessoas desabrigadas nas ruas”, completou.

Surita comparou a situação com o aparecimento das favelas no Rio de Janeiro. “O Rio de Janeiro, quando se começou a ocupar morros, favelas, se perdeu o controle. Boa Vista tem boa qualidade de vida. Vamos ter uma cidade de abrigos se a gente não tomar essa posição de levar pelo menos 500 pessoas por mês para outros Estados. Sei que é difícil, mas é a única saída que vejo no momento”, ressaltou.

Atualmente, segundo a prefeita, são oito abrigos mantidos pelo Exército, mas ela alertou que os recursos podem acabar em algum momento e reiterou a quantidade de abrigos na cidade. “A preocupação que tenho é que dinheiro destinado ao Exército vai terminar”.

Outro fator preocupante é a questão sanitária. “Tivemos casos de difteria de crianças que morreram no Brasil. Estamos hoje também com cerca de 200 casos de sarampo no Estado, que veio com as pessoas que entraram sem vacinação. O que eu peço ao Governo é que vacinem as pessoas antes de entrarem no país. Nós mesmos vacinamos. É um assunto muito difícil. Pessoas chegam desnutridas. 47% dos atendimentos hoje são para os venezuelanos”, explicou.

Confira a entrevista completa com a prefeita de Boa Vista, Teresa Surita: