Pesquisa com testagem da população pode ajudar na flexibilização em SP

  • Por Jovem Pan
  • 05/05/2020 12h58 - Atualizado em 05/05/2020 13h20
EFE/EPA/LUKASZ GAGULSKIA ação em campo começou na segunda-feira (4) e será feita por coleta de sangue

Um projeto de pesquisa começou a ser realizado em São Paulo para identificar a proporção da população que possui anticorpos contra o coronavírus. O infectologista e diretor Clínico do Grupo Fleury Celso Granato explicou, em entrevista ao Jornal da Manhã – 2ª Edição, que o intuito é “conhecer com detalhes como está a distribuição da infecção na cidade” e, com isso, aprimorar medidas de flexibilização.

Para isso, usando informações da Prefeitura de São Paulo, foram identificados os três bairros com as maiores incidências do coronavírus e os três locais com as maiores taxas de mortalidade. Em seguida, por meio de um sorteio, foram definidas 720 residências para participar da pesquisa.

A ação em campo começou na segunda-feira (4) e será feita por coleta de sangue, sem custo. Os cidadãos que aceitarem participar da pesquisa, que vai garantir anonimato dos participantes, vão receber, posteriormente, o resultado do exame.

“A vantagem de usar um teste que detecta os anticorpos é que não depende da pessoa ter percebido que teve a doença. A gente sabe que a maior parte das pessoas tem uma forma muito leve da doença, essas pessoas podem não ter percebido, mas os anticorpos se formam.”

Além de possibilitar maior conhecimento sobre a distribuição das infecções na cidade de São Paulo, a pesquisa também permitirá ter uma ideia sobre os dados subnotificados.

“É importante conhecer [os caso subnotificados] para poder flexibilizar as medidas com mais segurança. Talvez haja áreas da cidade com uma incidência muito maior da doença do que outras. A gente já sabe que é uma doença heterogênea, não é tudo igual. É possível que certas áreas e atividades econômicas possam voltar com mais segurança.”

Segundo o infectologista, estudos da mesma natureza feitos em outros países mostram que a proporção de casos do coronavírus, considerando as subnotificações, pode ser de 50% a 80% maior que os números divulgados oficialmente pelos órgãos de saúde.