Pezão diz que RJ não é capital mais violenta do País e atribui crise a débitos históricos

  • Por Jovem Pan
  • 27/09/2017 09h06 - Atualizado em 27/09/2017 09h07
Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, o governador admitiu que o problema é sério, mas fez suas atribuições

Diante da crise vivida no Rio de Janeiro, o governador Luiz Fernando Pezão atribuiu o problema do Estado aos débitos históricos e à economia, em especial ao preços dos barris de petróleo, e afirmou que a capital não é a mais violenta do País.

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, o governador admitiu que o problema é sério, mas fez suas atribuições: “é problema sério, e com a crise econômica se mostra muito maior. Não estou me escondendo ao debate, não eximo de erros, mas têm condições históricas e que hoje chega a conta para a gente pagar. É muito grave, muito grande. Se não discutirmos a Previdência, vai faltar dinheiro para o básico, especialmente para a segurança pública”.

Pezão, ao atribuir a crise na segurança às condições históricas, referiu-se ao ano em que o Estado do Rio foi fundido e deixou de ser capital. Questionado se não existiam problemas contemporâneos para justificar a crise, o governador ressaltou a ranking da violência no Brasil.

“O problema não é só do Rio de Janeiro, é do Brasil. Rio é a 16ª capital mais violenta, olhe as outras capitais. Se o Rio de Janeiro tem todos esses problemas, imagina as outras capitais. Se acontecer no Rio o que ocorreu em Santa Catarina, a repercussão é muito maior. O Rio tem cobertura diferente (…) É a 16ª capital, mas é o mais mostrado porque é destino turístico, existe guerra entre três facções. Existem outras 15 capitais que não têm o mesmo efeito midiático que tem aqui no Rio”, justificou.

Os preços dos barris de petróleo também foram utilizados como justificativa pelo governador para a crise econômica e de violência no Estado. “O déficit estrutural hoje é muito grande porque é baseado na queda do preço do barril do petróleo. O problema do Rio é o que coloco: temos economia dependente do petróleo. Quando o preço despenca, esse é o motivo da nossa crise”.

Outro ponto ressaltado pelo governador foram as rodovias federais que dão acesso ao Estado. Pezão defendeu que fuzis e drogas entram no Rio de Janeiro através delas e, por isso, há a justificativa da presença das Forças Armadas e da Polícia Rodoviária Federal.

“Forças Armadas estão no Rio porque nós pedimos, porque aqui o crime é com fuzil. A cidade tem rodovias federais. Não entra por rodovias estaduais. Isso tudo é território que o Governo federal tem que patrulhar. Fuzil não é fabricado aqui, por isso pedimos ajuda ao Exército. Fuzil é arma de guerra. São as causas estruturais que têm dentro do Estado. Não tiro minha responsabilidade, do Sérgio [Cabral] e de nenhum governador anterior”, ressaltou.

Questionado sobre a gestão do Estado e se algum outro nome conseguiria dar conta do que ocorre no Rio, Pezão foi categórico: “acho muito difícil”.

Confira a entrevista completa: