PF investiga casos de tráfico humano; passaportes vão alertar importância da denúncia

  • Por Jovem Pan
  • 30/01/2020 06h45 - Atualizado em 30/01/2020 08h05
Marcelo Camargo / Agência Brasil Marcelo Camargo / Agência Brasil Com 495 mil unidades, a iniciativa vai abarcar os estados com maior número de registros de denúncias sobre o crime

Uma adolescente de 16 anos recebe uma proposta de emprego que parece irrecusável: uma agência de modelos faz o convite para que ela trabalhe como modelo na Índia.

Animada, a jovem convenceu a família e permitiu que uma mulher, que se identificou como administradora da empresa, resolvesse as burocracias antes de sair do Brasil. Com a passagem comprada, o destino final chamava atenção: a China.

A suposta agenciadora foi então à Polícia Federal em São Paulo solicitar o visto do passaporte da adolescente. O trajeto levantou suspeitas e o caso passou ser investigado pela PF junto com autoridades indianas — e tudo não passava de um esquema de tráfico internacional de pessoas.

Os policiais conseguiram convencer a família da adolescente de que aquela proposta, na verdade, era falsa.

Cerca de 150 histórias de tráfico de pessoas, algumas semelhantes a essa, estão sendo apuradas em inquéritos da Polícia Federal. Visando prevenir esse tipo de crime, todos os passaportes emitidos a partir desta quarta-feira (29) em 7 estados vão ter um alerta incentivando às denúncias de tráfico de pessoas.

Os novos documentos terão um QR Code que direciona o usuário diretamente para a página do Ministério da Justiça, onde a denúncia pode ser feita.

De acordo com o Coordenador-geral de Defesa Institucional da Polícia Federal, Roberto Mello Milaneze, o objetivo é antecipar a tentativa do crime. “Uma vítima potencial de tráfico de pessoas, quando ela já es´ta no aeroporto, dificilmente ela vai desistir da viagem. A ideia é antecipar essa decisão dela.

Com 495 mil unidades, a iniciativa vai abarcar os estados com maior número de registros de denúncias sobre o crime. São eles: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Ceará, Pará e Amazonas, além do Distrito Federal.

Segundo Roberto Milaneze, muitas pessoas deixam de denunciar o crime após terem sido vítimas. “Existem tráfico de pessoas para exploração sexual, para exploração de trabalho e até para tráfico de órgãos. Por isso a gente não define perfil e a campanha não é direcionada para potenciais vítimas apenas.”

Ainda segundo a PF, não há um perfil específico de pessoas que são traficadas. O folder distribuído nos passaportes também orientam as pessoas a denunciarem pelo Disque 100 ou pelo Ligue 180.

*Com informações do repórter Leonardo Martins