PF investiga recursos não declarados no exterior de Dario Messer, doleiro dos doleiros

Agentes cumpriram 11 mandados de busca e apreensão na última terça-feira no Rio de Janeiro e em São Paulo; somente em dois enderenços foram encontrados mais de R$ 300 mil

  • Por Jovem Pan
  • 18/05/2022 12h03 - Atualizado em 18/05/2022 13h23
ANDRE MELO ANDRADE/IMMAGINI/ESTADÃO CONTEÚDO Policial Federal de costas durante operação Polícia Federal realizou a operação Enterros dos Ossos na última terça

Uma operação da Polícia Federal na última terça-feira, 17, com o cumprimento de mais de 10 mandados de busca e apreensão teve Dario Messer, o “doleiro dos doleiros”, e suposto operador dele, Roland Pascal Gerbauld, como seus principais alvos. A operação Enterro dos Ossos foi realizada em endereços nobres e sedes de empresas no Rio de Janeiro e em São Paulo, com o objetivo de combater crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Cerca de 50 agentes foram às ruas para cumprir 11 mandados de busca e apreensão, expedidos pela sétima vara federal criminal do Rio de Janeiro, que foi a titular Lava Jato. A ação foi um desdobramento da operação Patrón de 2019, na qual foi descoberta uma ligação entre o doleiro dos doleiros, Dario Messer, e um ex-presidente paraguaio, Horácio Cartes. Segundo a PF, os alvos mantém recursos no exterior que não são declarados às autoridades competentes. Além disso, os alvos são acusados de praticar operações de dólar-cabo, muito comum em mercados ilegais.

Todos poderão responder por crimes contra o sistema financeiro e lavagem de capitais. Com base no material apreendido na operação Patrón e na Câmbio-Desligo, também da Lava Jato, chegou-se a conclusão que os recursos da quadrilha eram lavados e movimentados em paraísos fiscais, e o operador desse movimento era justamente Roland Pascal Gerbauld. Ele seria o responsável por lavar os recursos ilícitos em nome do doleiro dos doleiros. Gerbauld chegou a ter a prisão decretada na operação Patrón, mas vive nos Estados Unidos há anos. Ele tem uma offshore em Bahamas para movimentar os recursos ilegais.

O Ministério Público Federal estima que passaram pela offshore de Gerbauld mais de US$ 16 milhões. Dario Messer teve a prisão determinada pela justiça em 2018, fugiu do país, conseguiu se esconder no Paraguai, teria tido a ajuda de um ex-presidente Paraguaio, mas foi preso em 2019 em São Paulo. No ano seguinte, conseguiu junto a justiça o direito de prisão domiciliar alegando problemas de saúde. Nesta terça-feira, 17, na operação Enterro dos Ossos, a PF esteve em dois endereços de Ipanema, no RJ, e, em um deles, que fica na Avenida Epitácio Pessoa, houve a apreensão de celulares, notebook e também dinheiro em espécie. Nos dois endereços foram recolhidos pelos agentes mais de R$ 300 mil.

*Com informações do repórter Rodrigo Viga