Planalto avalia que discurso de Bolsonaro na ONU ‘atingiu os objetivos’

  • Por Jovem Pan
  • 25/09/2019 06h34
EFEA avaliação interna é que faltou, no entanto, o presidente focar mais nas ações de combate às queimadas na Amazônia

O Governo comemora e avalia como positivo o discurso proferido por Jair Bolsonaro durante a abertura da Assembleia Geral da ONU na terça-feira (24). O filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro, foi quem melhor soube sintetizar o discurso. Segundo ele o objetivo foi levar ao conhecimento mundial a pauta vencedora das eleições no Brasil no ano passado. O próprio Bolsonaro afirmou que o discurso foi objetivo e respeitoso, que mostrou o ponto de vista do Governo e lembrou que o país merece ser respeitado.

Pelas redes sociais, aliados do presidente comemoraram. O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, por exemplo, afirmou que Bolsonaro foi altivo, corajoso, verdadeiro e soberano – e reafirmou o compromisso com valores e princípios como a Liberdade, democracia, família e tradição.

O ministro da Justiça, Sergio Moro, conhecido internacionalmente pelo combate à corrupção, foi o único citado pelo presidente. Segundo Moro o discurso trouxe pontos essenciais, soberania, liberdade, democracia, abertura econômica, preservação da Amazônia, oportunidades e desenvolvimento para população brasileira.

Já o filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro, que acompanhou o pai na viagem, comentou a semelhança entre os discursos de Bolsonaro e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo ele, os dois são conservadores e falam a verdade sem se preocupar com o politicamente correto.

A avaliação interna é que faltou, no entanto, o presidente focar mais nas ações de combate às queimadas na Amazônia, nos investimentos que estão sendo feitos para conter os incêndios e aumentar a fiscalização na região.

O presidente Bolsonaro apenas reafirmou que na avaliação do Governo, o Brasil é um dos países que mais preserva o Meio Ambiente, e que não abre mão da soberania sobre a região.

Discurso

Sem citar diretamente o presidente da França, Emmanuel Macron, Jair Bolsonaro lembrou que o dirigente durante reunião do G7 teria “ousado sugerir” sanções ao Brasil sem ao menos ouvir o posicionamento do Governo.

Bolsonaro ainda voltou a afirmar que, atualmente, 14% do território brasileiro é terra indígena. Ele lembrou também a promessa de não aumentar esse percentual e afirmou que os índios também querem o desenvolvimento.

No discurso, o presidente ainda lembrou que existem no país 225 povos indígenas além de 70 tribos em locais isolados, “cada um com suas lideranças, sua cultura e forma de ser o mundo”. Segundo o presidente, a visão de um líder indígena não representa todos os índios brasileiros.

O presidente Bolsonaro também não poupou críticas aos governos anteriores. Há críticas também de que não houve nenhum aceno ao setor produtivo, defesa dos produtores nacionais e nem garantias de que o país é um local seguro para se investir.

Ele lembrou do acordo de livre comércio do Mercosul com a União Europeia, que ainda precisa ser ratificado e corre risco exatamente por conta de problemas ambientais.

*Com informações da repórter Luciana Verdolin