Presidente da França anuncia série de medidas anti-imigração

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 22/02/2018 09h22
EFEA decisão certamente atende às expectativas de grande parte do eleitorado, mas que tornam um pouco mais turva a posição humanista que Macron um dia tentou projetar

Emmanuel Macron ainda não completou um ano de governo, mas suas decisões no Palácio do Eliseu o alçaram a posição de principal líder europeu no momento. E isso, claro, tem aspectos positivos e negativos.

Com o desgaste de Angela Merkel, que por pouco não teve que deixar o comando da Alemanha neste ano, e a Grã-Bretanha à beira de um ataque de nervos por causa do Brexit, os holofotes do continente estão voltados para Paris e as medidas tomadas pelo banqueiro de 40 anos que virou político.

Uma coisa é fato: Macron tem cumprido suas promessas de campanha, mesmo que elas criem uma imagem disforme do líder francês.

Nesta quarta-feira (21), por exemplo, o Palácio do Eliseu anunciou uma série de medidas anti-imigração que certamente atende às expectativas de grande parte do eleitorado, mas que tornam um pouco mais turva a posição humanista que Macron um dia tentou projetar.

A França agora pretende dobrar o tempo que um imigrante em situação irregular, que teve seu pedido de asilo negado, poderá ficar preso antes de ser extraditado. Passará dos atuais 45 dias para três meses.

Cruzar a fronteira do país ilegalmente também se tornará crime com punição de até um ano de prisão. Já o processo de pedido de asilo também será reduzido de um ano para seis meses.

É inquestionável que essas medidas atacam um problema que tem assolado a França nos últimos anos e que se tornou questão chave na maior parte dos países europeus. Porém, elas contradizem a postura que Macron adotou há não muito tempo, quando chegou inclusive a elogiar Angela Merkel por ter aberto as fronteiras da Alemanha.

Nos últimos dias, Emmanuel Macron prometeu reintroduzir o serviço militar obrigatório na França, abolido há cerca de 20 anos, alegando que ele aumentaria o patriotismo e a coesão social. Logo ele, que é o primeiro presidente da quinta república a não ter servido o exército.

Também ameaçou invadir a Síria para conter Bashar Al Assad, entrando num teatro de operações que precisa de qualquer coisa, menos de mais um player.

Macron claramente tem ambições globais e não quer correr o risco de se tornar um presidente irrelevante como foi seu antecessor. A dúvida é se ele vai se tornar um presidente popular ou um líder populista.